OGUM

 OGUM, o orixá da caça, do ferro, da guerra, o senhor dos metais. De acordo com a mitologia ioruba, Ogum é o orixá ferreiro e o primeiro a descer de Orun (céu) para o Aive (terra). Conhecedor dos ensinamen­tos do ferro, Ogum ensinou os homens a trabalharem o ferro e o aço. Segundo a mitologia, ele tem sete instrumentos de ferro — alavanca, machado, pá, en­xada, picareta, espada e faca — com os quais ajudou o homem a vencer a natureza.

Na África, Ogum, como conquistador e caçador, sempre defendeu e garantiu o alimento a todos de sua tribo. Com a escravidão no Brasil, os africanos passaram a exaltar as características guerreiras de Ogum: o destemor, o estrategista, vitorioso das grandes batalhas e defensor dos oprimidos. Exaltaram também a capacidade de desbravador, que busca a evolução.

Pelo sincretismo religioso, Ogum está associado a São Jorge, nas regiões Sul e Sudeste. Na Bahia, Ogum é Santo Antônio.
Na origem das religiões de matriz africana, Ogum não é o cavaleiro romano, com espada, capacete e escudo, como vemos na imagem de São Jorge. Seria um homem alto, magro, rude e humilde cuja principal atividade era a caça, na região em que teria vivido na Nigéria, país africano. Certa ocasião, ele saiu para caçar e passou seis meses longe de casa. Em vez de retornar para Ilé-Ifè (chão do amor), foi para outra cidade denominada Iré, onde foi aclamado com o título de Aladá-Meji (dono de dois facões).

Na Umbanda, Ogum é respeitado como aquele que sabe conquistar com bravura. É o herói. Um orixá amado e temido. As suas energias têm relação com o progresso, com o avanço tecnológico. Ogum abre os caminhos, as estradas. Renova-se a cada momento e atravessa os séculos com a força do progresso, da evolução.

No Brasil, Ogum é festejado em 23 de abril. Na Umbanda, a cor predominante é o vermelho. No Rio Grande do Sul, os terreiros atribuem ao orixá as cores verde, vermelho e branco. No Candomblé, azul-marinho é a cor de Ogum. Porém as cores são determinadas pelo guia e conforme o reino em que trabalham.Ogum é reverenciado nas terça-feiras. O ferro é o seu metal e seus símbolos são a espada, o facão, a corrente de ferro.

Salve Ogum! Ogunhê

Referências bibliográficas
BASTIDE, Roger. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. BENISTE, José. Orun Aiye: o encontro de dois mundos. Rio de Janeiro: madras. 2006.
Curso de Cultura Religiosa Afro-brasileira


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Preces para Ogum

Salve Ogum, guerreiro de Oxalá.
Orixá que abençoa seus filhos e os filhos de seus filhos.
Pai destemido, Senhor da espada de fogo que corta todas as demandas e conduza os que ama aos caminhos da prosperidade.
Que em meus caminhos, possa eu, filho seu merecer as vossas Bênçãos: a espada que me encoraja, o escudo que me defende e a bandeira que me protege.
Meu Pai Ogum
Não me deixe cair
Não deixe tombar.


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Pai Ogum, que minhas palavras e pensamentos cheguem até vós, em forma de prece, e quesaojorgesejamouvidas.

Que esta prece corra o mundo e o universo, e chegue até os necessitados em forma de conforto para as suas dores.

Que corra os quatro cantos da Terra e chegue aos ouvidos dos meus inimigos, em forma de brado de advertência de um filho de OGUM, que sou e nada temo, pois sei que a covardia não muda o destino.

OGUM, padroeiro dos agricultores e lavradores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis como o trigo que cresce e alimenta a humanidade, nas suas ceias espirituais, para que todos saibam que sou teu filho.

OGUM, Senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor do teu exército, e que nas minhas caminhadas só haja vitórias.

Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja um vitorioso, pois nós, os vossos filhos conhecemos a luta, como esta que travo agora, embora sabendo que é só o começo, mas tendo o Senhor como meu pai, minha vitória será certa.

OGUM, meu grande pai e protetor, fazei com que o meu dia de amanhã seja tão bom como o de ontem e hoje, que minhas estradas sejam sempre abertas, que eu trabalhe para que no meu jardim só haja flores, que meus pensamentos sejam sempre bons e que aqueles que me procuram consigam sempre remédios para seus males.

OGUM, vencedor de demandas, que todos aqueles que cruzarem a minha estrada, cruzem com o propósito de engrandecer cada vez mais a Ordem dos Cavaleiros de OGUM.

Pai, daí luz aos meus inimigos, pois eles me perseguem porque vivem nas  trevas, e na realidade só perseguem a luz que vós me destes.

Senhor, livrai-me das pragas, das doenças, das pestes, dos olhos-grandes, da inveja, das mentiras e da vaidade que só leva a destruição. E que todos aqueles que ouvirem esta prece, e também aqueles que a tiverem em seu poder, estejam livres das maldades do mundo.

Que em meus caminhos, possa eu seu filho ser merecedor das vossas bênçãos: a espada que me encoraja, o escudo que me defende e a bandeira que me protege.

Meu Pai Ogum não me deixe cair, não me deixe tombar!

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