Intolerância religiosa: MPDFT denuncia acusados de incendiar Centro Espírita em Sobradinho II

Brasília, 24/5 — O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou nesta segunda-feira, 23 de maio, cinco pessoas pelos crimes de intolerância religiosa e incêndio qualificado cometidos no Centro Espírita Auta de Souza, em Sobradinho II. A motivação do crime seria o preconceito contra a religião praticada no local. Caso sejam condenados, os acusados terão de pagar cerca de R$ 70 mil em indenização referente aos danos materiais e morais coletivos causados.
Os envolvidos utilizaram gasolina e etanol para atear fogo no chão, nos móveis e no telhado do local. Além dos danos materiais avaliados, os acusados colocaram em risco a vida e a saúde de moradores de outros imóveis localizados no terreno, que acordaram com o calor e o barulho do incêndio, e conseguiram sair do local a tempo.

Para o promotor de Justiça Thiago Pierobom, “a discriminação por intolerância religiosa é um câncer social. Este é o mesmo princípio que tem motivado as barbáries praticadas pelo Estado Islâmico. Independentemente de concordarmos com as práticas religiosas de outras pessoas, temos todos o dever ético de respeitar as suas convicções”.

O MPDFT pede, além da condenação, que pode resultar na reclusão dos envolvidos, que eles sejam obrigados a pagar indenização, calculada em laudo técnico, no valor de R$ 30 mil pelos danos materiais. E, também, que seja fixada em R$ 40 mil, no mínimo, indenização por danos morais coletivos sofridos por todas as pessoas praticantes de religiões espíritas ou minoritárias, que foram expostos ao risco da discriminação religiosa praticada pelos acusados.

Entenda o caso 
O crime aconteceu em 29 de janeiro, quando Valdeci de Lima Silva, Valdeir de Lima Silva, Kennedy Sousa do Rego, Wellington da Silva Costa e Rodrigo Guedes dos Santos, vizinhos do Centro Espírita, em Sobradinho II, invadiram o local e atearam fogo. A motivação dos acusados seria o preconceito religioso, visto que costumavam afirmar que a religião espírita “não era de Deus” e seria “coisa do demônio”, além de participarem de diversos episódios nos quais atrapalhavam as reuniões do grupo e ameaçavam os frequentadores do centro. O Centro Espírita Auta de Souza atua no local desde a década de 1970 e realiza diversas obras assistenciais. 

Após a conclusão das investigações, o Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do MPDFT verificou a prática do crime de intolerância religiosa, que prevê de 1 a 3 anos de detenção, e de incêndio qualificado, de 4 a 8 anos de reclusão, quando é praticado contra obra de assistência social.

Fonte: Divisão de Jornalismo / Secretaria de Comunicação do MPDFT

Comentários

Creusa disse…
A iniciativa do MPDFT se apresenta como uma luz no fim do túnel. Apesar da denúncia apresentada, não há a garantia de que esses elementos sejam exemplarmente punidos. Somente o rigor da Lei poderá coibir a ação dessas pessoas. Precisamos nos espelhar nos atos terroristas que ocorrem em nome de um deus, cujos seguidores se acham no direito de destruir aqueles que não comungam da mesma fé. Livremos o nosso povo desses malefícios.
Ainda esperamos que igual iniciativa ocorra quando os atingidos sejam templos de matriz africana.

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