Caminhada solidária leva carinho e atenção a idosos em Águas Lindas



Encontro propicia refletir sobre a vida e distribuir afeto, atenção e carinho aos que chegaram à velhice. No Lar da Terceira Idade  Samaritanos, um exemplo de acolhimento responsável e aconchegante 


Um encontro com lembranças, saudades, histórias e futuro.  Alguns trancaram o passado numa caixa e a lançaram ao léu. Não sabem mais onde a colocaram. Mas sorriem e abraçam pessoas estranhas que lhes oferecem afagos e retribuem o cumprimento carinhoso com abraço e beijos. Na sábado (25/11), a Caminhada Solidária, promovida pela Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap), chegou ao Lar da Terceira Idade Samaritanos, em Águas Lindas de Goiás. Uma vitrine de vidas que força a reflexão sobre o que estamos fazendo com a nossa vida, atitudes e decisões que tomamos.

Hoje, o Lar abriga 35 idosos, na faixa etária de mais de 60 a 102 anos. A direção da casa tem uma luta cotidiana para garantir um bom atendimento a cada um dos idosos. Não conta com financiamento público, recebe auxílio de uma instituição de crédito e com os recursos daqueles que têm condições de pagar a hospedagem.

O ambiente revela o cuidado do Lar com cada um dos hóspedes. Tudo muito limpo. Um dia da semana é destinado ao corte de unhas e cabelo — uma sessão de beleza.  A maioria dos abrigados tem problemas de saúde, o que exige cuidado e atenção permanente. O Lar dispõe de carro para levar quem não se sente bem ao hospital com acompanhante.

Muitos, absolutamente lúcidos, encantam com as histórias de vida. Compartilham lembranças e revelam a digital que imprimiram ao longo da sua trajetória, seja com a família, seja com os amigos. O olhar distante parece alcançar as imagens do passado. O sorriso tímido insinua que o momento foi prazeroso, ou a tez fechada sugere que a memória trouxe à tona experiência não muito boa.

Na bagagem dos caminhantes solidários da Ascap, muitos quitutes: sucos, refrigerante, café, leite, pães, bolos, salgadinhos, biscoitos, pão de queijo... A preciosa carga cada um levou na sua mala: vontade imensurável de dividir atenção, expressar carinho e, sobretudo, ouvir e colher experiências de pessoas tão singelas. Chegar, como dizem, à terceira idade não é para todos em um mundo tão violento. Mas quem alcança a velhice merece compreensão, não importa o que fizeram ou receberam ao longo da vida. O que vale é acolher a todos no coração e respeitá-los por suas virtudes e limitações.

Hermínia, nascida em Santos (SP), viúva, veio para Brasília com a filha, transferida para capital. As constantes viagens da filha a serviço complicaram a convivência. Hermínia não poderia ficar só. A saída foi ir para o Lar para receber atenção permanente de pessoas qualificadas. “Quando cheguei aqui ainda tinha as pernas boas e podia ajudar a cuidar de outros internos. Depois que operei as pernas e passei a usar bengala, já não consigo colaborar. Mas gosto muito daqui. Todos têm muito cuidado com cada um dos que aqui vivem. São atenciosos e carinhosos conosco”, diz Hermínia, que recebe com frequência a visita da filha, que não lhe deixa faltar remédios e o que mais precisar.

Marli não saiu do quarto. Não participou do lanche coletivo, ao som do violão do conselheiro da Ascap, Luiz Carlos. Ele entoou canções que boa parte dos internos acompanhou, cantando baixinho. Marli é uma mulher bonita. Ela recebeu no quarto os caminhantes solidários e contou histórias.  Sofre com a saudade do filho que morreu há alguns anos. Ela promete, em outra ocasião, mostrar a “agenda” que escreveu após a partida do filho amado. O sentimento de perda é companhia de todas as horas.

Araci ocupa um quarto próximo à varanda, onde foi servido o lanche comunitário. Ela não chegou logo. Demorou, mas saiu toda arrumada. As mãos trêmulas e andar lento. Araci precisa de ajuda para se locomover, não chega a necessitar de cadeiras de rodas como boa parte dos internos. Caminha devagarinho. Ela nasceu no Rio de Janeiro. Para saber a idade de Araci, é preciso um grande esforço. Sessenta anos é demais. Trinta e cinco, pode ser. A melhor opção é mudar de assunto.

Gasparina tem traços que dão veracidade à sua história de vida. Ela foi modelo no Paraná. Olhos verdes claros, alta. Para Fernando, voluntário da Ascap, ela fala do passado e diz que nunca teve filhos. Mais tarde, Fernando soube que ela sequer foi casada e chegou ao Lar levado pelo seu único irmão. Gentil, ela não recusou o pedido de um beijo feito por Fernando, que quer voltar a vê-la em outro momento.

Entre todos os idosos, estava Divino. Ele trajava uma réplica de roupa camuflada do Exército. Desinibido ante a presença de tantos estranhos, ele soltou a voz e cantou músicas sertanejas que lhe vieram à mente. Atraiu a atenção dos caminhantes. Ele já foi personagem de reportagens de jornais de Brasília.

A Divino é atribuído o fato de o Lar contar com auxílio de uma instituição financeira. Os dirigentes da empresa se sensibilizaram com o seu jeito simples, sincero e desinibido. Enviaram alguém para conhecer o Lar e souberam da seriedade do trabalho prestado aos idosos. Foi o bastante para estabelecer a parceria.

Os caminhantes solidários foram recebidos pela vice-presidente do Lar, Maria de Nazaré, e pelo tesoureiro, Osmar Bispo Alves. Simpáticos e acolhedores, eles mostraram cada canto da instituição, que funciona no setor de chácaras de Águas Lindas de Goiás. O ambiente externo é bastante bonito, envolto pela vegetação do cerrado.

A propriedade é um conjunto de chácaras que soma de cerca de 6 mil m², o que permite aos administradores criar galinha, porco, cultivar legumes, verduras, tubérculos , o que ajuda na alimentação ofertada aos idosos. Como toda instituição, o Lar necessita sempre doações, desde produtos hospitalares, como luvas, material de higiene pessoal e até de limpeza. Mas para Nazaré e Osmar, o mais importante são as visitas, como a promovida pela Ascap, que leva carinho e afago, num gesto de profunda fraternidade aos idosos.

A Ascap é o braço social do Centro Espírita Caminheiros de Santo Antônio de Pádua (Cecsap) e tem direcionado suas ações à assistência de famílias em extrema vulnerabilidade social e econômica, além de promover caminhadas solidárias a instituições e encontros com moradores de rua.

Para ver mais imagens clique no link  Caminhantes da Solidariedade da Ascap  

Comentários

daniela ricci disse…
Tudo muito lindo e não me canso de falar , uma das tardes maia lindas que ja tive em minha vida.
Leidiane Ribeiro disse…
Parabéns a todos pelo trabalho lindo pela União a harmonia que nao faltou nesse dia lindo.
Débora Câmara disse…
Experiência indescritível! Só indo pra sentir. Não tinha como não se emocionar e se encantar por cada história. Parabéns à todos mostrando que a União faz a força e ainda leva muuito carinho a quem necessita.

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