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Paz e circularidade na cosmovisão africana


Nos últimos fins de semana de 2015, um grupo dos Caminheiros se reuniu para discutir e planejar os temas da doutrina — bate papo que ocorre antes do desenvolvimento mediúnico. Entre a seleção de assuntos, recordo-me de ter falado rapidamente (uma pincelada) sobre a circularidade que há dentro do terreiro. Referia-me a alguns aprendizados de conversas com pessoas mais velhas que vivem a prática da religiosidade de matriz africana muito intensamente orientadas pelos princípios ubuntu e ao que já havia lido sobre mística do dar as mãos e formar um círculo. 

O comando "vamos fazer a roda" tem muitos significados: troca de energias; as vibrações que circulam e perpassam cada um dos integrantes que formam o círculo; a segurança, pois estamos unidos uns aos outros; e a simbologia de paz — quando estamos de mãos dadas não há como agredir o outro. Mais: emerge daí o sentido de irmandade, de unidade, de igualdade. Somos e sentimos o outro, o conjunto. Assim, cada um é parte do todo, que divide com ele a segurança, a não violência, a fraternidade e solidariedade, que são os pilares da Umbanda.


Assim, trago aos amigos e amigas dos Caminheiros o artigo do médico Renato Mayol, pó-graduado pela Universidade de Pensilvânia nos Estados Unidos, pelo Instituto de Pesquisa Chester Beatty na Inglaterra e pelo Instituto de Cancerologia de Villejuif, na França e há mais de 25 anos atua em pesquisas clínicas em diversas áreas. Tão importante quanto o interesse pela pesquisa médica, o interesse pelo autoconhecimento levou-o a receber instrução da Antiga e Mística Ordem Rosacruz (Amorc) e da Ordem Martinista. Por meio do texto, será possível entender um pouco o significado da filosofia ubuntu:


Ubuntu, para um novo dia!
 

Autor Renato Mayol
 

Conta-se que um antropólogo estava estudando uma tribo na África e quando terminou seu trabalho, enquanto esperava pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta para casa, propôs uma brincadeira para as crianças ali perto. Comprou doces e guloseimas e colocou tudo em um cesto debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando dissesse "Já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces.

As crianças se posicionaram e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, felizes, começaram a distribuir os doces entre si.



O antropólogo perguntou por que tinham ido todas juntas se a que vencesse poderia ficar com tudo o que havia no cesto. Elas responderam: “Como poderia uma de nós ficar feliz se todas as outras estivessem tristes? Ubuntu senhor, ubuntu.” Ele, depois de meses estudando a tribo, não havia compreendido ainda, a essência daquele povo.

Para os africanos que vivem ao sul do Deserto do Saara, ubuntu é uma filosofia cujo significado se refere à humanidade com os outros. Trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade. É a capacidade de compreender, aceitar e tratar bem o outro. É a prática do verdadeiro amor ao próximo.


No contexto africano do ubuntu, o indivíduo se caracteriza pela humanidade com seus semelhantes e pela veneração aos seus ancestrais, pois “uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas”.
Para Nelson Mandela, o mais importante líder da África do Sul, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e considerado o pai da moderna nação sul-africana, ubuntu é uma palavra com muitos significados. Ubuntu encerra respeito, cortesia, compartilhamento, comunidade, confiança, desprendimento. Ubuntu significa generosidade, solidariedade, compaixão com os necessitados, e o desejo sincero de felicidade e harmonia entre os homens.


Tudo isso é o espírito de ubuntu. Ubuntu não significa que as pessoas não devam cuidar de si próprias. A questão é - você tem que cuidar de si de maneira a desenvolver a sua comunidade, permitindo que ela melhore.


Na África do Sul, a noção de ubuntu ligou-se à história da luta contra o regime de segregação racial presente de 1948 a 1994, no qual os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados por um governo formado pela minoria branca, e foi a filosofia ubuntu que inspirou Nelson Mandela na promoção de uma política de reconciliação nacional, sendo que a noção de ubuntu estava presente no manifesto do movimento de libertação, e que lia: "Ao contrário do homem branco, o africano quer o universo como um todo orgânico que tende à harmonia e no qual as partes individuais existem somente como aspectos da unidade universal”.


Segundo Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana consagrado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua luta também contra a segregação racial em seu país, a palavra ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. Ou seja, "a minha humanidade está inextricavelmente ligada à sua humanidade". Essa noção de fraternidade implica compaixão e se opõe ao narcisismo e ao individualismo.


Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível para as outras, apoia as outras, não se sente ameaçada quando outras pessoas são capazes e boas, pois possui uma base que repousa na autoconfiança que vem do conhecimento de que pertence a algo maior. Algo que é diminuído quando outras pessoas são humilhadas, torturadas, ou oprimidas. Algo que é diminuído quando outras pessoas são diminuídas, injustiçadas, roubadas, maltratadas, abusadas.


Portanto o conceito de ubuntu exprime a crença na comunhão que deveria conectar toda a humanidade: "sou o que sou graças ao que somos todos nós".  Por isso tudo, a todos, Ubuntu, para um Novo Dia!
Para saber mais acesse o link abaixo:
http://filosofia-africana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/alexandre_do_nascimento_-_ubuntu_como_fundamento.pdf

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