Terreiros em Goiás são vítimas de vandalismo

Terreiro foi incendiado na madrugada de sábado (12/9), em Santo Antônio do Descoberto (GO)
 
A madrugada de sábado foi de terror nas cidades goianas vizinhas do Distrito Federal — Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas de Goiás e Valparaíso. Em um raio de 50km, a partir de Brasília, pelo menos três casas afrorreligiosas foram destruídas. Os episódios ocorrem a cerca de 20 dias após a destruição de um centro candomblecista em Santo Antônio do Descoberto.

Os atos são premeditados. Os agressores elegem as vítimas e deixam rastro de destruição dos espaços sagrados para os afrodescendentes. As autoridades, como sempre, não conseguem alcançar os responsáveis e levá-los à barra dos tribunais para que sejam, exemplarmente, punidos.

Sabe-se — e não é preciso fazer muito esforço — que essa cruzada é estimulada e patrocinada pelos fundamentalistas neopentecostais. Na região, existe grande proliferação de igrejas dessa tendência raivosa dos evangélicos, que sataniza as religiões de matriz africana e incitam os fiéis à violência.

O poder público segue omisso, inerte, em pacto tácito com aqueles que afrontam a liberdade de culto contemplada na Constituição Federal. Os órgãos federais também não movem uma palha para conter a escalada de violência contra os terreiros de Umbanda e Candomblé, não só no Distrito Federal, no Entorno e, de resto, na maioria das unidades da Federação.

A intolerância religiosa conspira contra a democracia, as liberdades individuais, e desafia as autoridades a impor um freio à violência desmedida. Não são apenas atos ofensivos às crenças do povo negro, mas manifestações inequívocas de racismo, crime inafiançável, punível com privação de liberdade, segundo a legislação vigente.
Até quando, os negros continuarão vítimas de uma democracia excludente, de um poder público omisso e conivente?

Em Águas Lindas de Goiás, os criminosos invadiram com o carro o terreiro.
 
Menos de 15 dias atrás, essa casa de candomblé também foi alvo
de violência, em Santo Antônio do Descoberto

Texto: Rosane Garcia
Imagens: Internet

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