Águas Lindas apoia luta contra intolerância religiosa

 

A prefeitura de Águas Lindas de Goiás assumiu o compromisso de coibir atos de intolerância religiosa no município. Está disposta a enviar à Câmara Legislativa projeto de lei a fim de destinar área pública à celebração das festividades das religiões de matriz africana. Esse foi o resultado da 1ª Marcha contra a Intolerância Religiosa, realizada na sexta-feira (6/2/15). A iniciativa reuniu dezenas de pessoas, entre ialorixás, babalorixás, ogãs e iniciados, além de contar com a participação de representantes da Federação de Umbanda e Candomblé do DF e Entorno, do Foafro e da Renafro.

No encontro com o vice-prefeito, Luiz Alberto Jiribita, e com a procuradora Juliana Arantes, foram sugeridas a capacitação de professores e a inclusão na grade curricular da rede pública da disciplina História e Cultura Afro-brasileira, como estabelece a Lei Federal nº 10.639/2003. De acordo com a lei, escolas públicas e privadas estão obrigadas a ensinar aos estudantes dos ensinos fundamental e médio “a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil”.

Na avaliação dos líderes religiosos, a marcha produziu um resultado excelente. A expectativa é de que os terreiros de Águas Lindas possam ter, a partir de agora, aliados na prefeitura, a fim de evitar que as agressões e perseguições aos adeptos da religiosidade de matriz africana.

O avanço da intolerância religiosa, praticada por evangélicos neopentecostais, deve-se, em grande parte, ao descaso e à omissão das autoridades. Nem todas acolhem, como ocorreu em Águas Lindas, os líderes religiosos. Muitos tratam a intolerância e a prática de racismo como “injúria”, um crime inexpressivo, cuja punição é pífia frente aos danos provocados. O mesmo ocorre com o público LGBT, que tem sido vítima constantemente das agressões dos fundamentalistas. Para entender o que motivou a marcha em Águas Lindas, clique no link abaixo.

O Estado brasileiro tem ignorado o que determina a Constituição brasileira, que garante a liberdade de credo, de culto e de fé, levando em conta a diversidade religiosa do país. Diferentemente dos fundamentalistas, a Umbanda e o Candomblé são práticas acolhedoras e, efetivamente, atuam na construção da cultura de paz.

Participantes da reunião:
Rafael Moreira, presidente da Federação, Ogan Luiz Alves do Foafro, Mãe Baiana da Renafro, Tata Francisco Ngunzetala, Tata Kajamugongo, Mãe Vilcilene, Mãe Vilma Helena, Bábá Obáálajò Asé Áláfin Óyó, Pai Nino( Valdeci Velez), Pai Alan Baloni, Pai Ricardo César, Pai Julio Cesar, Ogan Henrique Moronari Moronari, Pai Jader Correa, Mãe Maire De Bessem, Pai Becker, Pai Isneilton Porto e Ekedji Deysy. 

Para entender a motivação da marcha leia:
http://oscaminheiros.blogspot.com.br/2015/02/marcha-contra-intolerancia-religiosa-em.html

Fonte: Ogan Luiz Alves, coordenador do Foafro
Fotos: Ogan Luiz Alves

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