O nevoeiro da incredulidade


A primeira mulher a atravessar a nado o Canal da Mancha foi uma jovem de vinte anos de idade. Seu nome era Gertrude Ederle e esse fato se deu em 6 de agosto de 1926. Depois dela, uma outra mulher, de trinta e quatro anos, Florence Chadwick, tornou-se a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha, nos dois sentidos. Mas, em 1952, essa mesma mulher decidiu atravessar a nado os trinta e três quilômetros, entre a Ilha de Catalina e Long Beach, na Califórnia.

Quatro de julho, dia escolhido para a proeza, não estava propício. A manhã estava muito fria e havia um nevoeiro intenso.Ela se preparou e mergulhou na água. Contudo, mal conseguia ver os barcos que a acompanhavam. O nevoeiro era denso.
O frio e o cansaço não conseguiam fazê-la desistir. Ela podia ouvir as vozes de incentivo do treinador. Porém as forças a foram abandonando. Ela continuou nadando. Era a sua determinação a lhe ordenar que prosseguisse.

Mas, um pouco antes de chegar à praia, ela pediu para ser recolhida a bordo. De nada valeram as rogativas de sua mãe e de seu treinador.
―“Não posso mais! Não aguento mais!”,dizia ela.

Minutos depois, ela descobriu que restavam apenas 800 metros para chegar à praia. Ante a desolação dos que lhe seguiam os esforços de perto, incentivando-a, falou: “Não estou dando desculpas, mas se eu tivesse conseguido ver a praia, poderia ter chegado até lá”.
Florence Chadwick foi vencida não pelo frio, nem pelo cansaço. Foi derrotada pelo nevoeiro.

Com os homens, ocorre de forma semelhante. O nevoeiro da incredulidade interfere em muitos caminhos.Quando o incrédulo se vê a braços com dores profundas, permite-se a desesperança. Quando a morte lhe vem arrebatar um ser querido para o conduzir ao reino dos Espíritos, ele se desespera. Desiste de viver. Acredita-se sem forças e não consegue vislumbrar uma réstia de esperança. Tudo lhe parece envolto em brumas.

Por não crer que a vida prossegue para além da área física, mais se desalenta. Se as dificuldades financeiras se avolumam, o emprego corre riscos e o chefe se mostra irritadiço, ele se angustia.
Tudo lhe parece intransponível, uma carga excessivamente pesada. Em tal clima, alguns chegam à depressão e até ao suicídio. E, no entanto, a anotação evangélica estabelece que “tudo é possível àquele que crê”.

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“A fé clareia as noites mais sombrias.”  Nas paisagens do inverno rigoroso, é ela que nos permite antever a primavera, cobrindo de flores os jardins. Por isso, se o nevoeiro da incredulidade estiver a insistir na paisagem dos seus dias, busque estudar e meditar acerca daquilo que hoje você afirma não crer. Permita-se iluminar pelo sol que dissipa as nuvens e espanca as trevas. O sol chamado reflexão.

Para saber mais:
O Canal da Mancha é um braço de mar que é parte do Oceano Atlântico e que separa a ilha da Grã-Bretanha do norte da França e une o Mar do Norte ao Atlântico. Com aproximadamente 563km de comprimento, ele tem profundidade que varia de 45m a 120m.

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Fonte: Redação do Momento Espírita, com base no artigo Determinado a vencer, do Jornal Viva feliz, e no verbete Fé, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB.


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