A revolução possível


Revolução significa transformação radical de conceitos artísticos, científicos, políticos de uma época. Pois o que estamos verificando em nosso país é uma revolução ética. Enquanto muitos alardeiam que o Brasil não tem jeito, que tudo está perdido, empresários e profissionais liberais estão se unindo em confrarias, com o objetivo de amenizar graves problemas sociais.

Rio Grande do Sul, por exemplo, foi instituído o Dia da Solidariedade Tevah. Um dia por ano, na indústria de vestuário Tevah, de Porto Alegre, os funcionários vão trabalhar voluntária e espontaneamente, durante todo o dia. O dia não é o normal do trabalho, mas o sábado, dia do seu descanso semanal. A produção é exclusiva para entidades assistenciais que os próprios funcionários escolheram para ajudar.

Importante: ninguém falta ao serviço nesse dia. Em vez de trajes e calças, como de costume, produzem edredons, abrigos infantis, pijamas, vestidos, capas plásticas para colchões e outros itens, solicitados por asilos e entidades de deficientes físicos e mentais.

A empresa, por sua vez, colabora colocando à disposição seus equipamentos e a matéria-prima para a produção das oito mil e quinhentas peças, além de providenciar o transporte e a alimentação dos funcionários.

Outras empresas colaboram com a doação de grande parte dos tecidos e dos aviamentos necessários. O almoço é preparado por uma confraria da capital gaúcha, formada por empresários e profissionais liberais.

Não é um milagre produzido por funcionários especiais e por uma empresa especial. É uma iniciativa, que já conta alguns anos de existência e um exemplo que pode e deve ser multiplicado em todo o país.

Essa a grande revolução ética que estamos precisando e que vem, aos poucos, acontecendo. Seria maravilhoso se, no campo do serviço social cada empresa de alimentos, móveis, medicamentos, eletrodomésticos, vestuário, entre outros setores, trabalhasse um sábado por ano, dedicando toda a produção do dia para entidades carentes de sua região.

Conforme afirma o empresário Daniel Tevah, este é o sentido do Dia da Solidariedade: despertar o que existe de melhor em cada um de nós e deixar aflorar o verdadeiro espírito do povo brasileiro. Diríamos nós, do verdadeiro cristão.

Isso nos diz que o povo brasileiro é formado por uma imensa maioria de pessoas bem-intencionadas. Os corruptos e mal-intencionados são a minoria, que simplesmente domina os noticiários, disseminando a falsa ideia de que só são vencedores os que enganam e falam mais alto. Mas o certo é que já respiramos os tempos em que estamos despertando para o bem e abraçando as regras da verdade, da ética e da responsabilidade social.
O tempo de fazer o bem. O tempo de amar.

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O homem, em sua essência, é bom. O Dia da Solidariedade é só um belo exemplo de como podemos nos unir e produzir a verdadeira revolução ética capaz de conduzir o país e seu povo ao lugar e ao nível de vida que realmente merecemos.
Em verdade, todo esse discurso repete, em outras palavras, o suave convite de um Galileu, em terras distantes, e que prossegue a ecoar em nossos ouvidos: Amai-vos uns aos outros...


Redação do Momento Espírita, a partir do artigo A revolução possível, de Daniel Tevah, da revista Exame, de 12/6/2002

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