Líderes afrorreligiosos vão ocupar a Praça dos Três Poderes

Em 20 de maio, mais de 200 líderes denunciaram à Comissão de Direitos Humanos da
Câmara um juiz do Rio de Janeiro, para o qual a Umbanda e o Candomblé não são religiões
Pelo menos 22 sacerdotes afro-brasileiros foram assassinados nos últimos anos, conforme os poucos relatos vindos a público pelos meios de comunicação. No Amazonas, o Ministério Público determinou à Secretaria de Segurança a criação de um departamento especializado em casos de intolerância religiosa contra os terreiros de candomblé e de umbanda. Nos últimos 5 anos, 15 dirigentes de terreiros manauara foram vítimas de homicídio. Nas redes sociais, são veiculados vídeos que incitam a violência contra os terreiros e os adeptos da Umbanda e do Candomblé. Os episódios são de conhecimento do poder público, que nada faz para conter essa onda de violência, fazendo com que sejam “naturais” os ataques aos religiosos de matriz  africana.

Para denunciar e exigir ações concretas contra a crescente agressão aos umbandistas e candomblecistas, são esperados, nesta terça-feira (10/6), cerca de 2 mil dirigentes e adeptos, na Praça dos Três Poderes, a fim de exigirem respeito à Constituição Federal e que “o Estado brasileiro nos trate — a nós, aos nossos filhos e aos nossos terreiros — com a dignidade e o respeito que qualquer cidadão deste país tem direito”. O grupo pretende entregar a Carta do Povo de Santo aos defensores dos direitos humanos. Devem desembarcar na capital federal caravanas da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, de Pernambuco, do Maranhão, de Goiás, do Rio Grande do Sul e do Amazonas.

Povo de Santo Ocupa Brasília é uma frente formada pelos religiosos mais velhos, das casas mais tradicionais do Candomblé e da Umbanda de todo país, que vai marchar rumo à Brasília, com objetivo de exigir respeito e tratamento digno às religiões de matriz africana. Lideram a marcha a Casa de Oxumaré, Casa Branca do Engenho Velho, Gantois, Axé Opo Afonjá, Tumba Junçara, Bogun, Alaketu, Omiojuarô e, pela Umbanda, o Movimento Umbanda do Amanhã (MUDA).

Há mais de uma década, os dirigentes tentam ingressar com ações judiciais, fazer boletins de ocorrências nas delegacias de polícia e nada conseguem. As iniciativas são rechaçadas pelo poder público. “Estamos pedindo socorro”, revela o convite divulgado, nesta segunda-feira, pela Rede Afro-brasileira Sociocultural.

No documento, os líderes das religiões de matriz africana denunciam a ação dos fundamentalistas religiosos no Congresso Nacional, “que atravancam as pautas sobre liberdade de expressão, crença, direitos da mulher, direitos da população LGBT e a própria formulação de políticas para as minorias”. Esses grupos, conforme a denúncia, estão nos partidos políticos, no poder público, no Congresso, no Judiciário e no Executivo. Em contrapartida, “o povo de santo jamais foi curral eleitoral de ninguém. Somos poucos, mas muito diversos. E a nossa maior riqueza é a manutenção da diversidade deixada pelos nossos ancestrais — milhares de homens e mulheres que chegaram aqui escravizados e que nos deixaram enorme legado cultural, político e religioso”.Para os líderes da afrorreligiosidade, o que está em curso  no país “é uma disputa de poder financeiro e eleitoral, rumo a um projeto de poder fundamentalista. As disputas são econômicas, mas as vítimas são de carne e osso”.

Movimento Povo de Santo ocupa Brasília
Data: Hoje, 10 de junho 
Hora: 10h
Local: Praça dos 3 Poderes, Brasília


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