Tesouro individual



Era costume, em tempos remotos, em períodos de guerras ou revoluções, enterrar dinheiro ou cofres de ouro, no recanto mais escondido de algum campo, a fim de os preservar. Morrendo o dono do campo, ficava o tesouro depositado, às vezes por séculos, no fundo da terra, até que algum felizardo o encontrasse. A lei romana estabelecia que um tesouro assim, sem dono conhecido, pertencesse ao dono do campo.


Conhecedor da lei, o Senhor Jesus, em uma de suas parábolas, comparou o reino dos céus a um tesouro escondido em um campo. O homem que o encontra, cala-se e o oculta. Cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo, a fim de se tornar o proprietário real do grande tesouro. Também comparou o reino dos céus a um negociante que procura boas pérolas. Tendo achado uma pérola preciosa, vai, vende tudo quanto tem e a compra.

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Em se falando de tesouros, já pensamos em quantos possuímos?

Os dois olhos que trazemos, brilhantes, na face risonha, são as janelas da alma que se abrem para o mundo, dia após dia, nos descortinando a beleza insuperável dos meses de ouro do verão, das tardes cinzentas das chuvas do outono e das manhãs geladas, do inverno.

Os dois ouvidos que nos foram presenteados por Deus nos permitem ouvir a orquestra da passarada e a sinfonia dos ventos; os acordes dos trovões e o tamborilar das gotas de chuva, ensaiando sua dança na terra seca.

Os dois braços fortes nos permitem carregar a doçura do filho junto ao peito, onde o coração pulsa ao compasso da alegria de ser pai, de ser mãe.

Braços que abraçam, que estreitam, que se alongam e recolhem nas mãos as flores miúdas para compor um ramalhete e ofertá-lo a alguém.

Mãos que escrevem poemas de amor, que retiram dos instrumentos musicais sonoridades que embalam corações e fazem sonhar. Mãos que plantam flores, que colhem frutos, que se estendem para estreitar outras mãos.

Duas pernas que nos conduzem aonde queiramos, a passos lentos, na cadência do passeio despreocupado; a passadas largas, no compasso da pressa que nos caracteriza as atividades do trabalho constante.

Somos donos de um corpo que nos permite o trânsito na Terra. Somos possuidores do tesouro inestimável da vida.

E todos os dias somos brindados com o tesouro das horas para que, aos acordes do tempo, possamos estudar, trabalhar, aprender, sorrir e brincar.

Não menosprezemos tanta riqueza, maltratando a preciosidade do nosso corpo. Não desprezemos os minutos, gastando-os em coisa nenhuma.

Não esperemos adoecer para descobrir a grandeza da saúde.

Não aguardemos que o tempo da vida física se esgote para nos darmos conta do grande tesouro que não aproveitamos.

Mais do que tudo: não nos esqueçamos de que somos um Espírito imortal, a caminho da perfeição.

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Todos os homens, providos ou não de moedas e outros valores, são herdeiros do grande Rei, o Criador, que a todos oferta um Universo em expansão, onde se multiplicam as estrelas e outras tantas moradas do Espírito, em sua jornada evolutiva.

Fonte: Redação do Momento Espírita

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