Os terreiros param na Quaresma?

Início do desenvolvimento mediúnico no
Centro Espírita Caminheiros de Santo Antônio de Pádua

Da redação do Blog dos Caminheiros

Por que o terreiro não fecha durante a Quaresma?
A indagação é recorrente, levando em conta que há casas umbandistas e candomblecistas que alteram o ritmo dos trabalhos durante esse período de 40 dias que antecede a Semana Santa.
Na igreja católica, os santos são cobertos de branco ou roxo, expressão de luto pelo sofrimento imposto a Jesus Cristo. Os fiéis fazem retiro, jejuam, a fim de repetir o comportamento de Jesus, que se recolheu 40 dias antes do calvário e da crucificação.

A Umbanda, surgida no início do século 20, aglutinou uma série de elementos de outras práticas religiosas, como as africanas, indígenas e católicas, e incorporou em grande medida a doutrina espírita, codificada por Allan Kardec.  A contribuição católica está nas preces e, principalmente, no sincretismo religioso, que associa os orixás aos santos da igreja romana. Essa ligação é meramente ilustrativa, pois, na prática, há profundas diferenças entre Orixás e santos católicos.

Os antigos cristãos ascenderam à condição de santos por decisão da cúpula da igreja, devido aos feitos em defesa da mensagem do Cristo e da fé católica. Os orixás são entidades espirituais superiores que atuam nas forças da natureza sob os auspícios de Deus (Olorum ou Olodumare, o criador de todo o universo).

Nos primórdios, os terreiros umbandistas tinham um comportamento muito próximo ao dos católicos. Era uma religião perseguida, como os terreiros de candomblé. As forças de segurança do Estado se opunham à prática e fechavam as casas empregando violência desmedida e prendiam os adeptos. Era um período de terror contras os terreiros.  

O fechamento dos terreiros durante a Quaresma era uma estratégia de autoproteção. Além disso, muitos dirigentes migraram do catolicismo para uma prática de matriz africana, sem, no entanto, perder as referências religiosas de matriz europeia. Esse comportamento era incorporado ao terreiro. Por orientação do dirigente, que entendia ser a Quaresma um período de resguardo, não cabia a realização das sessões de umbanda ou de candomblé.

Vencida essa etapa de perseguição, a Umbanda, com mais de um século de existência, conquistou amadurecimento e consolidou uma estrutura própria, que lhe confere personalidade frente as outras práticas de matriz africana. A ritualística assegura perfil singular às inúmeras casas de Umbanda. Embora a Quaresma seja um período respeitado por todos cristãos, ela não impõe a suspensão dos trabalhos espirituais nas casas de Umbanda, cuja compreensão é diferente da dos católicos. Os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua seguem com suas atividades normalmente, por entender que a espiritualidade não cessa de agir em momento algum.

Comentários

Alvaro disse…
Clareia os fatos.
Vamos desmistificar ainda mais a Umbanda.

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