Flores da Umbanda



Por Andréa Deren Destefani 

Há uns anos atrás, li um texto no qual Chico Xavier falava que, para melhorar a energia de um lar ,bastava plantar rosas no jardim. Comecei então a plantá-las, na casa de meus pais. Aqui no sítio bem que tentei, mas o cavalo as tratou como iguarias culinárias. Na Umbanda o uso das flores é muito importante, sendo que seu uso iniciou com a própria religião.

Todo evento da criação da Umbanda, pelo médium Zélio de Morais em 1908, começou com ele levantando,no meio de uma sessão espírita, falando: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.


Desde o início da humanidade, as flores foram associadas com o Sol, por se voltarem para ele,e , assim como ele dissiparem a escuridão, simbolizando a energia vital, o final do inverno e a vitória sobre a morte. O Lírio de Oxum por exemplo, segundo a mitologia antiga, teria nascido do leite de Hera, que gotejava na Terra no mesmo tempo em que era criada a Via Láctea. Outra lenda diz que o perfume dos lírios espanta serpentes e por parecer com um cetro aparecem em muitos brasões de famílias da Europa antiga.

De todas as flores talvez a que mais tenha poder em nosso espírito seja a rosa. Na antiguidade, esta flor remonta o mito de Adônis , o amado de Afrodite, de cujo sangue teriam brotado as primeiras rosas, assim se tornaram símbolo do renascimento e do amor que sobrevive a morte.No século 1a.C. os romanos faziam uma Festa das Rosas em homenagem a seus mortos, e até hoje na Itália o domingo de Pentecostes é considerada a "Páscoa das Rosas".

Em contraposição no culto a Dionísio, deus do Vinho, era comum as pessoas se coroarem de rosas,pois acreditavam que abrandava o calor da bebida e impedia que alcoolizados contassem seus segredos, por este motivo ela se tornou também símbolo da reserva e da discrição. Assim esta flor começou a ser desenhada em cima dos confessionários - "sub-rosa", ou seja, sob o signo do silêncio e da discrição. Na iconografia eclesiástica tornaram-na a "Rainha das Flores" simbolo da rainha celeste,Maria.

Enquanto as rosas vermelhas representam desde os primórdios o amor terreno, as brancas são relatadas em sagas e lendas como a flor que simboliza a morte. Os alquimistas viam nas rosas brancas e vermelhas o sistema dualístico com elementos dos dois princípios originários: o enxofre e o mercúrio. A rosa vermelha também é considerada nas tradições antigas, um símbolo de honra nas guerras para os oficiais do exército-em especial os romanos- pois Marte (deus da guerra) teria nascido de uma rosa.

Uma gira de umbanda tem o formato de uma flor, onde o veio principal de energia - o caule- vem do congá. São muitas as flores de Umbanda, as que representam a sabedoria, a discrição como os pretos e as pretas velhas, a vitalidade e a batalha diária pela vida como os caboclos, a alegria das cores da existência como as flores das crianças, ciganas e boiadeiras, e dos necessários resgates como os das pomba-giras.

Na minha opinião ainda de aprendiz, talvez a mais importante flor que exista na Umbanda seja a que floresça no coração do médium,que deva ser sempre cuidada com verdade, amor, caridade e consciência de que nosso invólucro é provisório, porque é dela que virá o perfume que envolverá outros em seu caminhar. Saravá!

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