Festa movida pela fé


Brasília - Grande cortejo com oferendas levadas por 300 baianas, que chegaram à Praça dos Orixás em carro aberto do Corpo de Bombeiros, e shows musicais marcaram o réveillon da Prainha

Sob a benção dos orixás, cerca de 5 mil pessoas comemoraram o réveillon na Prainha do Lago Sul, que se transformou em grande palco da diversidade e de boas energias para o novo ano que se aproximava. Famílias, casais e amigos brindaram à virada do ano, cantaram ao som dos ritmos africanos e fizeram oferendas para Iemanjá e Oxum às margens do Lago Paranoá.

A jornalista Anita Campos, 31 anos, não se arrependeu da escolha. Ela, que já frequenta a Umbanda, convidou amigos e os pais para virarem o ano na Prainha. "Já tenho afinidade com os orixás e, quando vi toda essa programação estruturada e voltada para os povos de terreiro, que geralmente não encontram lugar para fazer suas comemorações, confesso que fiquei empolgada", explicou. "Convidei meus pais, que são evangélicos, porque acho que essa é uma festa muito familiar e aberta a todas as religiões", completou a jornalista.
 


Este ano, o GDF valorizou a tradicional festa reforçando a estrutura do evento, que contou com um grande palco em formato de túnel, com 40 metros de extensão.

As religiões de matriz africana foram exaltadas com a montagem de 15 tendas destinadas ao atendimento ao público. Em quatro delas foram servidos pratos típicos da culinária afro-brasileira como acarajé, vatapá e bobó de camarão. O evento contou, ainda, com uma feira afro-cultural de artesanatos, camisetas dos orixás, CDs com cânticos da religião, além de artigos de umbanda e candomblé.

Para o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, Rafael Moreira, a festa, promovida pelo GDF em parceria com a Fundação Cultural Palmares – instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura – e com a própria federação, superou as expectativas. "Deixamos de ser esquecidos e passamos a ser valorizados pelo GDF desde o ano passado. Este ano a estrutura foi ainda melhor e mais elaborada".

"Esse palco em formato de túnel nos deu uma ampla visão da festa de Iemanjá com a dignidade de que precisamos. A festa não é só religiosa, é um réveillon que reúne a comunidade em geral do DF em uma linda festa aberta ao público", completou Rafael Moreira.

A carioca Jaqueline de Oliveira, 30 anos, que veio morar na capital federal há cerca de 15 dias, escolheu a Prainha para passar a virada do ano. Acompanhada do marido e da filha Giovanna, a técnica de estradas adepta a religião de matriz africana elogiou o evento. "A festa está maravilhosa, a estrutura montada é muito boa e já fiz minhas oferendas", contou.

A programação musical contou com a apresentação de Os Crioulos, OyaBagan, Xaxará de Prata, Asé Dudu, Obará, Pé de Cerrado e Requebrarte. Os pais e mães de santo fizeram suas previsões e jogaram búzios. Já os 16 orixás foram cultuados na Praça dos Orixás.

"É uma festa que representa união, paz, consideração e respeito à Umbanda, que às vezes é um pouco esquecida. Aqui em Brasília temos o nosso espaço. É o respeito à espiritualidade e aos orixás", opinou a mãe de santo, Elvidia de Oxossi, que há nove anos passa a virada do ano na Prainha.

Cortejo

Um dos pontos altos da festa foi o cortejo com as oferendas para Iemanjá e Oxum, que saiu da Rodoviária do Plano Piloto com 300 baianas por volta de 20h30. O carro aberto do Corpo de Bombeiros passou pela Esplanada dos Ministérios e seguiu para a Praça dos Orixás, aonde chegou às 21h35min. Lá, o público e o grupo cultural Asé Dudu receberam os participantes na Praça dos Orixás.

Depois da chegada do cortejo, foram tocados os ritmos de umbanda e candomblé, conhecidos como Nação Nagô, Kêto, Angola e Umbanda. A programação religiosa se estendeu até meia-noite, quando ocorreu a oferta dos presentes a Iemanjá e Ogum em balaios lançados ao lago.

A recepcionista Márcia de Jesus, 29 anos, fez suas oferendas à beira de lago. Caracterizada de baiana, a jovem, que há quatro anos participa da festa, ressaltou a importância do réveillon nas margens do lago. "É o melhor momento do ano para nós da Umbanda. É uma festa muito tradicional. Este ano, a estrutura também está maravilhosa", destacou a baiana.

A festa contou ainda com uma queima de fogos em uma balsa no lago Paranoá.


Fonte: Agência Brasília | Texto: Cinara Lima

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