Festa para a Umbanda no Congresso Nacional


Passado o Dia de Finados (2/11), começou a temporada de mobilização das comunidades afrodescendentes e de terreiros de Umbanda e Candomblé em todo o país. Novembro é um mês especial para esses dois segmentos da sociedade brasileira. 
No próximo dia 20, os negros homenageiam Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência africana contra a opressão dos escravocratas. Hoje, os negros somam mais de 52% da população brasileira, conforme ficou demonstrado pelo Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Embora sejam maioria, ainda enfrentam o preconceito e a discriminação. O fator étnico persiste em fazer a diferença entre homens e mulheres, como se a cor da pele fosse paradigma para imprimir maior ou menor dignidade ou definisse o caráter das pessoas.

Mas, nos últimos 10 anos, esse processo vem, aos poucos, sendo quebrado por um conjunto de políticas públicas direcionado ao que se convencionou chamar de “minoria” étnica. Diferentemente do que ocorreu no fim do século 19, logo após a edição da abolição da escravatura, quando foram largados à própria sorte, hoje, os negros estão mais aptos para disputar em pé de igualdade as várias oportunidades de ascensão que o desenvolvimento socioeconômico do país propiciou.

Os regimes de cotas para negros nas universidades vêm imprimindo um ritmo mais acelerado a essa transformação. Espera-se que, no próximo dia 20, a presidente Dilma anuncie a adoção do sistema de cotas para os concursos públicos destinados ao preenchimento de vagas nos diferentes órgãos federais. A combinação educação e emprego permite a sociedade brasileira dar um largo passo rumo à reparação de quase dois séculos de profundas injustiças sociais e econômicas impostas à população afrodescendente. Possibilitará avançar na construção da verdadeira democracia racial, que, até então, sempre foi uma farsa no país.

Homenagem federal

Na próxima segunda-feira (12/11), a Câmara dos Deputados antecipará as homenagens ao Dia Nacional da Umbanda, instituído oficialmente pela presidente Dilma Rousseff como 15 de novembro. Em 16 de maio deste ano, ela sancionou a Lei no 12.644, que criou a data. O projeto, aprovado pelo Congresso Nacional, foi uma iniciativa do próprio governo federal. A iniciativa aprovada foi proposta pela Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Terreiro.

A Umbanda, uma religião brasileira, que amalgama elementos das religiosidades africana, indígena, católica, a doutrina kardecista e outras práticas, surgiu no Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade, em São Gonçalo, município do Rio do Janeiro, em 15 de novembro 1908. Lá, o Caboclo Sete Encruzilhadas, incorporado no médium Zélio Fernandino de Moraes, lançou os fundamentos basilares da Umbanda. Daí em diante, a religião se espalhou pelos quatro cantos do país e alcançou vários outros países em diferentes continentes. Após 104 anos, a Umbanda ganha reconhecimento público e oficial.

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