Mulheres protestam contra intolerância religiosa no Pátio Brasil

  Davi de Castro - EBC
 
20/8/2012
Representantes de movimentos de mulheres manifestam, na manhã desta segunda (20/8), em frente ao shopping Pátio Brasil, em Brasília (DF). O grupo luta contra o preconceito, a violência à mulher e a intolerância religiosa. Rogéria Peixinho, representanto da Articulação de Mulheres Brasileiras (ABM), fala sobre a manifestação. (Vídeo: EBC na Rede) 

O manifesto teve o estopim com o caso de lesão corporal sofrido por Noêmia Oliveira, 19 anos,  no último dia 5, no Paranoá (DF).  A moça relata que, na ocasião, passava mal e seu companheiro foi pedir ajuda de um homem, que trouxe consigo pastores para socorrê-la. Noêmia alega que eles começaram uma sessão de exorcismo, seguida de agressões motivadas pelo uso de piercings e tatuagens. Seus dois gatos foram jogados pela janela, acusados de “má influência espiritual”. Um deles permanece internado.

A agressão, segundo as manifestantes, é fruto da intolerância religiosa, que vem interferir na forma como as pessoas devem se vestir e se comportar. “O caso da Noêmia é um exemplo desse grau de fundamentalismo que estamos vivendo. Estamos aqui para protestar não apenas por ela, mas contra a violência a toda e qualquer mulher. Queremos afirmar que nosso corpo nos pertence, é nosso território e não pode estar sujeito a pastor ou a padre, nem a qualquer outro”, afirmou Kauara Rodrigues, representante do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA).

As mulheres que participam do protesto também reclamam da influência da bancada religiosa no Congresso Nacional e, por faixas e cartazes, exigem o respeito ao Estado Laico, instituído pela Constituição Federal. “Quando não temos um estado laico, há interferência religiosa em todas as áreas de importância para a sociedade. Essas ideologias de cunho religioso representam uma barreira para o avanço democrático. É inadmissível isso em um país de tamanha diversidade como o nosso. Não queremos mais a inquisição”, ponderou uma das representantes do AMB, Rogéria Peixinho.
Protesto de mulheres

O grupo de manifestantes reúne mulheres vindas de vários estados, como Ceará, Rio de Janeiro, Amazonas, Paraíba e Mato Grosso do Sul. Elas contam que irão se reunir em protestos como esse ao longo da semana e irão apresentar um manifesto à Secretaria de Direitos Humanos, à Secretaria de Políticas para as Mulheres e ao Congresso Nacional. Entre as reinvidicações, estão a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos já conquistados, a rejeição ao estatuto do nascituro, a urgência de aprovação da PEC do trabalho doméstico, além do repúdio à influência religiosa na elaboração de leis, que, para elas, representam um retrocesso em relação aos direitos das mulheres, da população LGBT e das religiões de matriz africana.

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