Viva Santo Antônio de Pádua

Amanhã é dia de Santo Antônio de Pádua, o santo casamenteiro e também das causas impossíveis. Padroeiro dos Caminheiros, ele foi homenageado com prece e distribuição de pães no último domingo (10/6) pelos médiuns, amigos e amigas do centro.
Mas quem foi Santo Antônio? Ele nasceu em Lisboa, em 1195. Foi batizado como Fernando, filho de Martins Bulhões e Maria Teresa Taveira. Quando se tornou religioso, adotou o nome de Antônio de La Vera Cruz ou de Santa Cruz, por causa de Santo Antão, que também quer dizer Antônio. Aos 36 anos, ele morreu em Pádua em 13 de junho. Foi canonizado 11 meses depois de morrer, pelo papa Gregório 9º, e passou a ser conhecido com Santo Antônio de Pádua.

Embora nascido em uma família rica, Antônio dedicou toda a sua vida aos menos favorecidos e a pregar o Evangelho. Além de ser um orador excepcional, sua trajetória foi marcada por feitos extraordinários, reconhecidos como milagres. Entre eles, o da pregação aos peixes. Na cidade de Rimini, ele tentou levar a palavra de Deus aos homens, que se recusaram a ouví-lo. Então, Antônio decidiu pregar aos peixes e começou a falar em direção as águas. Para surpresa de todos, centenas de peixes apareceram à superfície.



Outro grande milagre atribuído a Antônio foi o de livrar o seu pai, Martins de Bulhões, da forca. Ele fazia uma preleção em Pádua, quando sentiu que o pai corria grave risco de vida. Acusado de ter assassinado um jovem, Martim Bulhões foi condenado a morrer enforcado, em Lisboa. Naquele instante, Antônio parou de falar e em profundo silêncio, transportou-se até Lisboa, ressuscitou o jovem, que confessou que pai do santo não foi o agressor. Tão logo seu pai ficou livre da acusação de assassinato, ele continuou a pregar em Pádua.

Mas os feitos milagrosos de Antônio continuaram pela sua enorme capacidade de converter homens e mulheres à fé em Deus. Assim, ele é tido como santo milagroso, casamenteiro e das causas impossíveis. Está entre os mais populares no Brasil e no mundo.

Visão afro-religiosa
As referências bibliográficas revelam que, em especial, Santo Antônio tem diferentes associações com orixás e entidades das religiões de matriz africana, resultado da diversidade dos grupos africanos que desembarcaram no Brasil como escravos.

Para os umbandistas, Antônio de Pádua está no panteão da Espiritualidade Maior. Ele é reverenciado na falange dos Pretos Velho, ao lado de São Benedito, como padrinho dos negros que sofreram a crueldade das senzalas, os açoites nos troncos. Esse entendimento reflete as manifestações culturais dos negros bantos, originárias das colônias portuguesas do Congo, Guiné, Angola e Moçambique, muito parecidas com as do cristianismo e um dos fatores que aproximaram Santo Antônio e outros santos católicos dos orixás. Explica, em boa parte, o sincretismo religioso muito mais comum na Umbanda do que nas casas candomblecistas e em outras religiões de matriz africana.

Essa compreensão dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua e compartilhada com muitas outras casas umbandistas não é única. Diante de necessidade de manter vivos seus valores religiosos, os negros associaram os orixás aos santos católicos. O sincretismo foi uma forma de driblar a perseguição dos senhores escravagistas fortemente influenciados pelos dogmas católicos, segundo os quais os negros eram seres pagãos e cujas práticas religiosas eram condenáveis.

Santo Antônio está associado a Ogum Xoroquê ― também festejado em 13 de junho em algumas casas umbandistas ou que inseriram em suas práticas elementos do Candomblé ou de outras religiões de matriz africana.

No Batuque, prática afro-religiosa do Rio Grande do Sul e, em menor proporção, em algumas casas do Rio de Janeiro, Santo Antônio é tido como Exu ou Bará, mensageiro entre os deuses e os homens, que abre caminhos e guia as pessoas pelas boas e más trilhas, respeitados o livre arbítrio.

Em Pernambuco, nos terreiros iorubá de culto Xangô ― conhecidos também como xangozeiros ― Santo Antônio é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça e ainda com Aniflaquete, um espécie de orixá (ou Exu) que teria chamado os outros orixás da África para o Brasil.

Nos terreiros iorubá do culto xangô, no estado de Pernambuco, Santo Antônio (com o livro na mão igual a São Jerônimo) é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça, e com Aniflaquete ou Afreketê, divindade marinha jovem, que chamou os orixás da África para o Brasil.

Na Bahia, Santo Antônio está associado a Ogum, diferentemente do Rio de Janeiro, onde este orixá corresponde pelo sincretismo, a São Jorge. Mas em terras baianas, de acordo com Afrânio Peixoto, entre as muitas relações que Santo Antônio tem com os orixás, ele é reconhecido como Ogum de Ronda, como o senhor das estradas, que protege os viajantes. Muitos terreiros, embora de candomblé, têm uma bela imagem do santo.

Nas crenças pagãs, Santo Antônio é homenageado no 13 de junho com fogueira e uma culinária típica das festas juninas. Momento que reúne dança, cantos, tambores de origem africana e elementos religiosos da tradição oral dos portugueses.


 PRECES A SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA
http://oscaminheiros.blogspot.com.br/p/preces.html

Comentários

creusa lins disse…
Eu tive a satisfação de participar da homenagem à Stº Antonio. Todos estavam imbuídos de fé e esperança e a energia maravilhosa envolveu a todos.

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