Espíritas do DF condenam aborto de anencéfalos

Supremo Tribunal Federal: por 8 votos a 2, a Corte autorizou,
no último dia 11, a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou o abordo de fetos anencéfalos (sem cérebro) foi duramente condenada pelos participantes do 2º Congresso Espírita do Distrito Federal, promovido pela Federação Espírita do DF, que reuniu cerca de 4 mil pessoas na capital federal.
O Manifesto pela Defesa da Vida, assinado pelos participantes, qualifica decisão da Suprema Corte do país “um atentado contra a vida, principalmente, quando se trata de uma vida frágil e indefesa, como é o caso de fetos com diagnósticos de malformação”.

 Com base nos ensinamentos da doutrina espírita, o documento lembra que “o aborto constitui crime perante as leis divinas, conforme o que está disposto na Questão 358 do Livro dos Espíritos”. O manifesto reconhece a faculdade do livre arbítrio, mas ressalva que essa opção, no entanto, “não pode ser evocada para justificar a prática do aborto como direito de escolha da mulher, uma vez que em se tratando de vida em gestação, esse direito inexiste, pois o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos humanos”. E acrescenta: “Ele (o direito à vida) é tão fundamental que nosso ordenamento jurídico estabelece limites ao próprio titular do direito, não lhe permitindo mutilar o corpo, praticar a eutanásia nem o suicídio”.

Integrante do Comitê do Movimento Brasil  sem Aborto do DF, a Federação anunciou que o manifesto será levado às autoridades do país nesta semana.  Entre os palestrantes do encontro, estava a médica Marlene Nobre, presidente da Associação Nacional e Internacional de Médicos Espíritas, que abordou o tema Direito à vida. “Só Deus pode dispor da vida das pessoas, nem a própria mão. Até o suicídio é condenado por todos os povos”, declarou a médica.

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A seguir, a íntegra do Manifesto pela Defesa da Vida

MANIFESTO PELA DEFESA DA VIDA

A Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) promotora e organizadora do Segundo Congresso Espírita do Distrito Federal vê, nesta oportunidade, em consonância com os princípios fundamentais da doutrina Espírita, reafirmar sua posição em defesa da vida – desde a concepção à morte natural.
A recente decisão do Supremo tribunal Federal que aprovou a liberação do aborto de anencéfalos constitui um atentado contra a vida, principalmente, quando se trata de uma vida frágil e indefesa, como é o caso de fetos com diagnósticos de malformação.  

A doutrina Espírita nos esclarece que a prática do aborto constitui crime perante as leis divinas, conforme o que está disposto na questão 358 de o Livro dos Espíritos. É bem verdade que ao espírito Deus concedeu a faculdade do livre-arbítrio. Essa faculdade, no entanto, não pode ser avocada para justificar a prática do aborto como direito de escolha da mulher, uma vez que em se tratando da vida em gestação, esse direito inexiste pois o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos humanos. Ele é tão fundamental, que nosso ordenamento jurídico estabelece limites ao próprio titular do direito, não lhe permitindo mutilar o corpo, praticar a eutanásia nem o suicídio.

Ademais, o ser em gestação no ventre materno é uma nova individualidade biológica, inviolável e indisponível, não cabendo à mulher decidir se ele deve viver ou morrer, pois essa vida não lhe pertence.
A Federação Espírita do Distrito Federal é uma das instituições que integra o Comitê do Movimento Brasil Sem Aborto do Distrito Federal e tem contribuído na preparação e organização das marchas nacionais pela vida, que se realizam todos os anos nesta capital.

Bezerra de Menezes nos tem advertido inúmeras vezes de que o trabalho em defesa da vida é permanente e mesmo que o aborto venha a ser legalizado deveremos permanecer firmes na defesa e promoção dos valores fundamentais da vida humana. Aa liberação judicial do aborto de anencéfalo em nosso país constitui, portanto, em um perigoso precedente para a legalização do aborto em geral. Nesse sentido, a FEDF comunga das preocupações de outros segmentos da sociedade em relação à proposta elaborada pelo grupo de especialistas instituído pelo Senado Federal, que propõe a liberação do aborto até a 12ª semana, quando a mulher não tiver condições psicológicas ou econômicas de criar o filho que traz em seu ventre. Entendemos que a sociedade deve estar atenta para se opor a todas as tentativas de ampliar e liberar o aborto no Brasil.

Nossa missão, como espíritas, é contribuir para o “esclarecimento a respeito das leis que emanam do Criador e regem a nossa vida, procurando contribuir com o aperfeiçoamento moral e espiritual da população brasileira” (Nota da Federação Espírtia Brasileira sobre o aborto de anencéfalo).
 

Brasília, 15 de abril de 2012. 
Federação Espírita do Distrito Federal

Mais informações:
Jaime Ferreira Lopes
Vice-presidente Nacional do Movimento
BRASIL SEM ABORTO
(61) 8117-9107

Comentários

creusa disse…
Este assunto merece muita reflexão. Nós, sejamos espíritas kardecistas ou umbandistas, somos contra o aborto. Tive oportunidade de ouvir as ponderações de alguns Ministros que votaram a favor do aborto. Acho que o voto desses Magistrados não foi fácil. Eles, como nós, bem sabem do sofrimento imposto ao pais dessas crianças, principalmente da mulher. E diante disso, eu pergunto é justo impor a nossa crença àquelas que não a professam? Seriámos nós donos da verdade? A Lei não vai impor que todas as mulheres se submetam ao aborto mas lhes dará o livre arbítrio de o fazê-lo. Falamos tanto de livre arbítrio mas ao mesmo tempo estamos negando-o. Peçamos à Espiritualidade Maior que nos poupe de vivermos uma situação dessa e que dê forças àquelas pessoas que passam por momentos tão difíceis. Mas, julgar, jamais.

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