Diálogo, o avesso da intolerância

A intolerância religiosa no Brasil e também em diferentes partes do mundo tornou-se um desafio para as autoridades. Aqui, há uma inquestionável tentativa dos neopentecostais de conquistarem a hegemonia pelo convencimento por meio de falsas promessas de prosperidade financeira de que eles são a salvação. Diferentemente do que pregou Jesus, a riqueza deles é deste mundo material e a evolução é monetária.Em contrapartida a essa visão tacanha e medíocre, esta semana temos dois grandes exemplos.

O primeiro deles teve Brasília como cenário, motivado pela violência do poder público contra os terreiros de Umbanda e Candomblé que, devido à uma política discriminatória, nunca tiveram a possibilidade de ter uma área para a edificação de suas sedes definitivas. Após um debate na Câmara Legislativa, ficou acertada a apresentação de um projeto que permita a regularização das áreas ocupadas pelos terreiros.


Não são apenas umbandistas e candomblecistas que enfrentam a falta de espaço adequado para a realização das suas práticas religiosas. No conjunto, muitas igrejas locais de outras vertentes, entre elas as evangélicas,  também passam por situação semelhante. A diferença é que evangélicos não são importunados com a truculência dos fiscais. Eles são tolerados, nem tanto pela fé de professam, mas porque são uma legião que se presta a interesses políticos diversos.

A adversidade, porém, uniu, mesmo que momentaneamente, evangélicos e líderes da religiosidade afro-brasileira para uma discussão sobre os termos do projeto a ser levado à Câmara Legislativa, a fim de regularizar as áreas ocupadas pelos templos. Possivelmente, se ocorrer a legalização dos espaços, haverá mais harmonia nas relações entre as diferentes expressões de fé.

Católicos e budistas

Outro exemplo tem como cenário a Santa Sé, em Roma. O Vaticano reconhece que a diversidade religiosa impõe desafios e exige uma reflexão sobre a necessidade de ensinar os jovens a respeitar e compreender as diferentes crenças e práticas em mensagem dirigida aos budistas. Nesta época do ano, os seguidores de Guatama Buda ou Guatama Shidarta participam da festa de Vesakh. Eles perfumam as casas com incenso e as decoram com flores, visitam os templos para ouvir os ensinamentos dos monges e oferecer-lhes presentes.

Nesse clima de alegria e fé, em nota assinada pelo cardeal Jean-Louis Tauran e pelo arcebispo Pier Luigi Celata, respetivamente presidente e secretário do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, o Vaticano faz um apelo aos líderes budistas: "Vamos unir os nossos corações e rezar em conjunto para que possamos levar os jovens, pelo nosso exemplo e nosso ensino, a ser instrumentos de justiça e paz. Vamos compartilhar uma responsabilidade comum para com as gerações presentes e futuras, instruindo-as a serem pacíficas e construtoras da paz".

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