Embates e vitórias

Toni Garrido e Maria Ceiça: apresentadores do programa em resposta aos ataques
de uma emissora de tevê aos adeptos das religiões de matriz africana (fotos da internet)

2011 foi de grandes embates contra a intolerância religiosa. A velha e ultrapassada perseguição a umbandistas e candomblecistas perdeu o jeito dissimulado e veio à tona com muita força, deixando um rastro inquestionável de racismo. A violência chegou a tal ponto que as autoridades se viram forçadas a tomar providências contra as afrontas ao direito constitucional de liberdade de culto.

Foi um ano doloroso: o berço da Umbanda, em Niterói, no Rio de Janeiro, foi demolido. Uma construção histórica e repleta de simbolismo para milhões de umbandistas virou pó. As autoridades municipais, estaduais e federais foram omissas, apesar de todos os apelos dos adeptos da religiosidade afrobrasileira.

Os Caminheiros de Santo Antônio, bem como outras instituições, alertaram as autoridades federais sobre o que representaria a demolição do berço da Umbanda. Mas esbarram nos ouvidos moucos do poder. As respostas foram burocráticas, vazias de iniciativas práticas que salvassem o legado do médium Zélio Fernandino de Moraes.

Direito de resposta

Em contrapartida, diferentes comunidades de terreiro conseguiram na Justiça um amplo espaço, como direito de resposta, aos ataques de uma emissora de tevê que fez duros ataques contra a religiosidade afro-brasileira e indígena. A mesma emissora, que no passado quebrou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida diante das câmeras, foi obrigada, por decisão judicial, ceder
igual tempo na sua grade de programação para umbandistas e candomblecistas exaltarem o culto aos orixás e o compromisso das diferentes casas com a construção de uma cultura de paz. O programa foi apresentado pelo cantor e compositor Toni Garrido, líder da banda Cidade Negra, e pela atriz Maria Ceiça.
Foi um programa inédito, com uma hora de duração, apoiado pela TV PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Reuniu um elevado número de dirigentes de terreiros umbandistas e candomblecistas, pastores evangélicos, católicos e outros, além de juristas, representantes do Ministério Público Federal.
Uma emissora de tevê, uma concessão pública, não tem o direito de se insurgir contra a pluralidade religiosa e cultural do povo brasileiro. Vale a pena conferir (clique no link abaixo para ver o programa)



Neste início de 2012, líderes da afro-religiosidade preparam mais uma edição do Congresso Estadual das Religiões e Cultura de Matriz Africana, Afro Brasileira e Indígena (Coneafro), que ocorrerá, em São Paulo, em 11 de fevereiro. Juristas, políticos, cuja atuação é focada nos direitos sociais e no enfrentamento da intolerância, do racismo e do preconceito, além de personalidades de diferentes matizes da Umbanda e do Candomblé já confirmaram participação.
Este ano, o Coneafro tratará de temas, com base na legislação vigente, que facilitem a relações entre as instituições religiosas e a sociedade. Os interessados podem obter mais informações por meio do site www.coneafro.com br.

Dessa forma caminha-se para fortalecer instituições religiosas de matriz africana que, amparadas pela Constituição, exigem respeito e uma ação firme das autoridades e não tolerância.

Comentários

creusa lins disse…
Sem dúvidas, este é o caminho. Ótima matéria que nos propiciou tomar ciência do movimento em defesa das religiôes afro.

Brasília, precisa se movimentar pois durante a madrugada as redes de TV são palco de constantes agreções proferidas por esses fanáticos que se dizem evangélicos.

Parabéns.
Parabéns.

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