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Câmara de São Gonçalo debate criação do Museu da Umbanda

A criação do Museu da Umbanda foi discutida, na última sexta-feira (9/12), em audiência pública, na Câmara Municipal de São Gonçalo (RJ). O vereador evangélico Amarildo Aguiar (PV) prometeu doar o seu carro, avaliado em R$ 85 mil, caso a Prefeitura do município não atenda à reivindicação dos umbandistas.
Umbandistas de várias regiões do Rio de Janeiro, sob a lideranção da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), lotaram o plenário da Câmara.

“Estamos aqui em nome da Comissão. Desde que toda esta história começou, buscamos o diálogo, pois não demonizamos e nem excluímos qualquer pessoa. Mas não podemos obrigar a prefeita a nos receber. Estamos nesta audiência pública porque, por algum motivo, o vereador Amarildo sentiu-se sensível à causa. Em nome da Comissão, quero, desde já, agradecer e ratificar que não haverá desistência em relação ao tombamento do lugar onde a Umbanda nasceu”, disse o interlocutor da CCIR, babalaô Ivanir dos Santos, que compôs a mesa ao lado do vereador, da fundadora da CCIR, Fátima Damas, de Márcia D´Oxum e do presidente da União Espiritualista de Umbanda do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Novo.

“Se a Prefeitura de São Gonçalo não resolver o problema do Museu da Umbanda, quero, diante de todos, colocar meu carro quitado no valor de R$ 85 mil para ajudar a construir o espaço, que para os brasileiros é muito importante”, declarou Amarildo, que foi aclamado.

“Proponho que se faça uma rifa a fim de mobilizar todos. É importante que se faça, também, uma comissão com pessoas responsáveis para convencer o proprietário do local a desapropriar o imóvel. O ato de doação deste carro é muito mais simbólico que material. O vereador segue a mesma religião da prefeita. No entanto, ele nos recebeu desde o início, preocupou-se com o caso e marcou esta audiência hoje. Isso mostra que quem quer faz. Por que ela não fez?”, questionou Ivanir dos Santos.

Em meio a tantas falas, o vice-presidente da Associação de Moradores de Neves - bairro onde localiza-se o imóvel -, Sidnei Valle declarou ter conversado sobre a importância do local com o novo dono do terreno e que o proprietário prometera pensar no que fazer para não prejudicar os religiosos. Contudo, com uma ligação de alguém da Prefeitura, resolveu derrubar. “O dono da casa disse ser kardecista e me prometeu que conversaria com a filha para tentar, pelo menos, preservar a frente da casa, já que a importância religiosa era grande. Quando vi que tinham derrubado, o questionei. Ele disse que houve interferência da Prefeitura de São Gonçalo e não quis se estender sobre o caso”.

A fundadora da CCIR e presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub), Fátima Damas, fez um alerta aos que assistiam à sessão. “Por volta de 1930, a Umbanda era perseguida pela polícia. Hoje, somos perseguidos por neopentecostais que querem impor uma ditadura religiosa no País. Aquela casa é minha vida, minha fé. Em épocas de eleições, esses políticos invadem nossos terreiros, nossas casas de santo para pedir votos. Chegou a hora de olharmos por quem olha por nós. Não votem em pessoas que não querem saber de vocês. Peço ao senhor Amarildo que lute pela desapropriação daquele lugar”.O interlocutor da Comissão finalizou a audiência lembrando que o encontro era para mobilizar o Legislativo e lamentou a ausência de outros vereadores.

“Ninguém não ousaria não tombar uma sinagoga, templo católico ou evangélico. O que acontece em São Gonçalo é muito estranho, porque até mesmo o Miguel Moraes, que é um parlamentar engajado na questão racial e sabe que o racismo é base para esta intolerância, não está aqui. Está preocupado em ser vice na chapa.Mas conseguiremos, através do Amarildo, mostrar a força de nossa união”.

O vereador prometeu também, no encontro, criar título legislativo com o nome de Zélio de Moraes e propor Projeto de Lei para garantir a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa no município gonçalense.Ao final, todos cantaram uma oração a Oxalá e o Hino da Umbanda, além de um louvor cristão.

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