Prece pelas crianças


Instituído no 3º Fórum Global da Rede Global de Religiões pelas Crianças, realizado em Hiroshima, em maio de 2008, o Dia Mundial de Ação e Oração pelas Crianças —20 de novembro — será comemorado, às 10h do próximo dia 16, em sessão solene no Plenário Ulisses Guimarães da Câmara dos Deputados. O 20 de novembro foi escolhido por ser o Dia Internacional da Infância, data em que foi proclamada a Convenção sobre os Direitos da Criança pela Organização das Nações Unidas (ONU).Os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua foram convidados a participar da cerimônia, que deverá contar com a participação de adeptos das mais diferentes práticas religiosas para, juntos, elevarem preces em favor da proteção dos direitos e promoção do bem-estar das crianças.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 38% das crianças brasileiras vivem em situação de pobreza. A população brasileira de adolescentes cresceu exponencialmente nas últimas décadas. Hoje, são 57 milhões de jovens com menos de 18 anos, cerca de 30% do total de habitantes do país. As regiões Sudeste e Nordeste concentram mais da metade dos jovens de 10 a 19 anos, com 38,5% e 31% cada uma, respectivamente. Os dados foram divulgados em fevereiro último pelo Unicef e constam do relatório Situação Mundial da Infância 2011 - Adolescência: Uma fase de oportunidades.

De acordo com o estudo, para conseguir atender às necessidades específicas dessa faixa etária, em especial dos 38% que vivem em situação de pobreza, é preciso dar mais atenção a políticas públicas para os adolescentes, pois os programas focam prioritariamente os problemas da primeira fase da infância, como mortalidade infantil e acesso à educação primária.

"No Brasil, as reduções na taxa de mortalidade infantil entre 1998 e 2008 significam que foi possível preservar a vida de mais de 26 mil crianças. No entanto, no mesmo período, 81 mil adolescentes brasileiros, entre 15 e 19 anos de idade, foram assassinados e mais de 70 milhões de adolescentes em idade de frequentar os anos finais do ensino fundamental estão fora da escola", ressalta o documento.

Educação + saúde + proteção

Para que os avanços históricos obtidos nos programas voltados às crianças sejam consolidados, é preciso garantir acesso à educação de qualidade, saúde e proteção aos adolescentes. Segundo o relatório, é nessa fase da vida que as injustiças sociais impedem que os jovens mais pobres e vulneráveis continuem a estudar, por exemplo.

Falta de oportunidades educacionais e profissionais, mortes violentas, relações sexuais precoces e desprotegidas, HIV/Aids e trabalho infantil são algumas das situações que impedem que os adolescentes desenvolvam suas capacidades na transição para vida adulta, ressalta o estudo.

Adolescentes

No Brasil, as oportunidades de inserção social ainda são insuficientes e colocam os adolescentes em situação de desemprego e subemprego e favorecem a violência e a redução dos níveis de qualidade de vida. Ao mesmo tempo, mudança climática, incerteza econômica, globalização e tendências demográficas formam um cenário incerto para adolescentes no mundo todo.

O quadro é ainda pior para jovens negros, que chegam a ter 70% mais chances de ser pobres que os brancos, segundo o relatório. Na região Amazônica, quase 57% das crianças e adolescentes são afetados pela pobreza. No semiárido, esse percentual é de 67,4%.

Isso quer dizer que as políticas públicas precisam levar em consideração a pluralidade de sociedade brasileira, com dimensões que vão além da idade, como a renda, a condição pessoal, o local de moradia, o gênero, a raça e a etnia, para dar conta do problema.

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