Dia de Finados e as várias interpretações da morte

Nesta quarta-feira — 2 de novembro, Dia de Finados —, os Caminheiros prestarão suas homenagens aos irmãos desencarnados. Haverá, como tradicionalmente ocorre, a Prece da Saudade, a partir das 19h.
Mas por ser uma tradição, nunca paramos para pensar o motivo que leva millhões de pessoas, em todo o Planeta, a dedicar parte do 2 de novembro para homenagear os mortos. Vários anos atrás conhecemos o monsenhor Arnaldo Beltrami, gorduchão, simpático e notívago. Ele preferia trabalhar na madrugada e acordar perto do almoço. Por muito tempo, ele foi o assessor de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), até que retornou a São Paulo e ali desencarnou. Com muito humor, ele explicava que o título de monsenhor era um prêmio de consolação por não ter sido aprovado para bispo.

Hoje (1/11), véspera de Finados, recorremos ao monsenhor para escrever um pouco sobre a história que mobiliza e consterna milhões de pessoas de todas as idades. Embora para os espíritas a morte seja apenas a passagem para um outro plano, uma separação provisória, há que a entenda como algo definitivo. Para alguns, trata-se do fim da vida e ponto, como se a nossa passagem pelo plano material não representasse uma fase de aprendizagem para a evolução.

Diante das várias interpretações, vejamos o que nos ensina monsenhor Arnaldo Beltrame. Segundo ele, o Dia de Finados é “o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas já falecidas. É o Dia do Amor, porque amor é sentir que o outro não morrerá nunca”.

O Dia de Finados — prossegue ele — “é celebrar essa vida eterna que não vai terminar nunca. Pois, a vida cristã é viver em comunhão íntima com Deus, agora e para sempre”.

Desde o primeiro século da Era Cristã, as pessoas rezam pelos mortos, visitam os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. Escreveu Beltrame, que no século 4, a memória dos mortos passou a constar da celebração da missa. A partir do século seguinte, a Igreja Católica começou a dedicar um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava ou se lembrava. No século 11, a igreja obrigou as comunidades a dedicarem também um dia aos mortos. Somente a partir do século 13, o 2 de novembro foi consagrado aos mortos, porque o dia 1º é o de Todos os Santos, quando se celebra aqueles que morreram em estado de graça e não foram canonizados.

Os ensinamentos do monsenhor não são a única explicação para o Dia de Finados. Outras fontes de informação dão conta de que o Dia de Finados começou a existir a partir do ano 998 d.C e teria sido introduzido por santo Odilon ou Odílio, abade do mosteiro beneditino de Cluny, na França. Ele teria determinado aos monges que rezassem por todos os mortos, conhecidos, desconhecidos, religiosos, leigos, de todos os lugares e tempos.

No Brasil, a celebração desembarcou com os colonizadores portugueses. As pessoas visitam os túmulos nos cemitérios, levam flores, acendem velas e fazem preces em homenagem aos entes queridos que desencarnaram.

Essa prática vale tanto para católicos quanto para os espíritas e umbandistas. Os dois últimos — espíritas e umbandistas — acreditam na reencarnação e entendem que o desencarne é uma passagem para outro plano invisível à maioria dos encarnados. Assim, como ocorreu a passagem pelo plano material, a vida após a morte também será um período transitório até que ocorra uma nova oportunidade de reencarnação. Esse ciclo se repete até que haja a plena purificação do espírito.

Mas outras práticas religiosas têm entendimento diverso do que seja a morte:

— Os hinduístas crêem na transmigração das almas, que é a mesma doutrina da reencarnação. Só que os hindus ensinam que o ser humano pode regredir noutra existência e assim voltar a este mundo como um animal ou até mesmo como um inseto: carrapato, piolho, barata, como um tigre, como uma cobra etc.

— Os budistas crêem no Nirvana, que é um tipo de aniquilamento.

— As testemunhas de Jeová creem no aniquilamento. Morreu a pessoa está aniquilada. Simplesmente deixou de existir. Existem três classes de pessoas: os ímpios, os injustos e os justos. No caso dos ímpios não ressuscitam mais. Os injustos são todos os que morreram desde Adão. Irão ressuscitar 20 bilhões de mortos para terem uma nova chance de salvação durante o milênio. Se passarem pela última prova, poderão viver para sempre na terra. Dentre os justos, duas classes: os ungidos que irão para o céu, 144 mil. Os demais viverão para sempre na terra se passarem pela última prova depois de mil anos. Caso não passem serão aniquilados.

— Os adventistas creem no sono da alma. Morreu o homem, a alma ou o espírito, que para eles é apenas o ar que a pessoa respira, esse ar retorna à atmosfera. A pessoa dorme na sepultura inconsciente.

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