Projeto veta morte de animais em rituais

Entidades afro-brasileiras dizem que proposta é discriminatória e preconceituosa

São Paulo - Um projeto de lei do deputado estadual campineiro Feliciano Filho (PV), que proíbe o sacríficio de animais em rituais religiosos no Estado, ainda não tem data para ser votado, mas já criou polêmica.

Representantes de terreiros de candomblé e umbanda irão nesta quarta-feira, às 19h, à Assembleia Legislativa para tentar impedir que a proposta, classificada por eles como preconceituosa e discriminatória, seja aprovada pelos deputados. “O sofrimento dos animais é insuportável nestes rituais. A diferença entre eu, você e uma galinha é que ela não tem como se defender”, diz o parlamentar.

Eduardo Brasil, presidente do Fórum de Sacerdotes do Estado de São Paulo, diz que o projeto é inconstitucional por violar a liberdade religiosa. “Como será o Natal dos católicos se não puder matar o peru? O que está em jogo é a liberdade religiosa. Vamos à Assembleia para por fim à hipocrisia”, promete Eduardo Brasil.

Feliciano, que é cristão, rebate e diz que a proposta não tem a ver com religião. “Antes da liberdade de culto vem o crime ambiental. Esses animais estão sendo maltratados por essas pesoas.", afirma.Para o pai de santo Moacir de Xangô e integrante do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Campinas, o projeto é fruto de pura ignorância e do desrespeito às religiões de raízes africanas. “Apesar de nossa religião ser milenar, sempre fomos discriminados.”, diz Moacir.

Se o projeto for aprovado, o descumprimento da lei prevê multa de R$ 5,2 mil para cada infração. O valor dobra em caso de reincidência.


Fonte: TV Bandeirantes/ Metro

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