Deputada condena demolição do Berço da Umbanda

A deputada federal pelo Distrito Federal Érika Kokay (foto) subiu à tribuna da Câmara, terça-feira última, para condenar a demolição da antiga Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, fundada pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, em 1908, na Rua Floriano Peixoto, nº 30, Bairro das Neves, São Gonçalo, Niterói, Rio de Janeiro.
"A destruição do terreiro Zélio de Moraes, que está em área de propriedade privada, representa mais que a perda de um signo material dos praticantes de Umbanda. Representa a destruição de um patrimônio imaterial, de valor imensurável, dos que professam essa fé. E também de uma parte do patrimônio cultural e histórico comum a todo o povo brasileiro", disse a deputada.
A seguir os principais trechos do pronunciamento da parlamentar brasiliense, que tem se dedicado à defesa dos direitos e interesses dos povos de terreiro:

"Ocupo esta tribuna hoje para denunciar a todos e todas a demolição do terreiro Zélio de Moraes, em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, ocorrida na quarta-feira passada (05). Não se trata apenas de mais um triste caso de intolerância contra as religiões de matriz africana, como de resto é comum no nosso país. Trata-se da destruição do suporte de uma parte da memória do nosso povo. Pois foi ali, naquela casa antiga, que a Umbanda, religião genuinamente brasileira, nasceu. Foi ali, no dia 15 de novembro de 1908, há mais de cem anos atrás, que o médium Zélio Fernandino de Moraes realizou o primeiro encontro de Umbanda.

A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira que surge da mescla das práticas religiosas africanas, especificamente do Candomblé, com representações vindas da religiosidade do povo indígena que aqui vivia, e de elementos do espiritismo kardecista e do cristianismo católico. Forjada sob o signo da repressão do Estado, a Umbanda originária tinha no sincretismo entre a religiosidade africana e o culto dos santos católicos uma forma de se proteger da violenta repressão infringida aos seus praticantes. Foi só em 1945 que José Álvares pessoa obteve deste Congresso Nacional a legalização da Umbanda.

A destruição do terreiro Zélio de Moraes, que está em área de propriedade privada, representa mais que a perda de um signo material dos praticantes de Umbanda. Representa a destruição de um patrimônio imaterial, de valor imensurável, dos que professam essa fé. E também de uma parte do patrimônio cultural e histórico comum a todo o povo brasileiro.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR/RJ), organização da sociedade civil, vinha pautando a desapropriação e a transformação daquele espaço num museu já havia algum tempo, mas infelizmente a demolição ocorreu antes que a prefeitura de São Gonçalo tomasse as providências necessárias. A casa, antes da demolição, encontrava-se em ruínas. Me solidarizo à CCIR/RJ e a todos e todas as umbandistas na necessidade de recuperação e reconstrução desse importante espaço simbólico, cultural, religioso e histórico."

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