Artigo: Ética na Umbanda

Por Claudiomar Feitosa*
Quando se fala em ética na Umbanda, há bastante dissabor e repulsa, pois tocará na vaidade e no ego daqueles que não querem ver noticiadas determinadas verdades atinentes ao fenômeno da incorporação.
Na Umbanda fala-se muito em mediunidade de incorporação semiconsciente e inconsciente, que, via de regra, ensejam verdadeiras discussões doutrinárias a respeito. As incorporações em que os espíritos deixam completamente inconscientes o médium, com tomada integral de todas as faculdades biopsicomotora, é fenômeno raríssimo nas religiões mediúnicas.

Outrora, foi a forma encontrada pelos espíritos para cumprirem suas missões no plano físico sem que o medianeiro pudesse interferir em suas tarefas, pois muitas pessoas não acreditavam na ação dos espíritos sobre o corpo humano e, por isso, se tivessem algumas porcentagens de consciência, acabariam por intervir de forma voluntária ou involuntária, durante o trabalho dos amigos espirituais.

Com o tempo, e através de um maior estudo dos médiuns e com isso um maior entendimento daquilo que ocorria, a inconsciência dos médiuns foi pouco a pouco sendo elevada a semiconsciência, fenômeno pelo qual os espíritos agem conjuntamente com a psique do médium, que, mesmo manifestados, sabem de quase tudo o que se passa a seu redor, inclusive que estão sob o domínio parcial de uma força externa. As incorporações semiconscientes predominam quase que inteiramente nos segmentos espiritualistas, fazendo que o médium seja corresponsável pela mensagem transmitida por um caboclo, preto-velho, exu etc.

A regra é o médium lembrar-se de quase tudo que foi dito pelo espírito trabalhador. Infelizmente, alguns médiuns que trabalham de forma consciente insistem em dizer que não se lembram de nada depois que o espírito interventor se afasta.


O motivo dessa colocação deve-se ao interesse do médium em querer dar maior valor a sua mediunidade, dizendo, “eu sou especial porque trabalho sem consciência”, ou para se eximir de responsabilidade, caso haja uma comunicação equivocada, por influência dele próprio, dizendo depois: “eu sou inconsciente, quem errou foi o espírito”. A mediunidade de incorporação inconsciente ainda existe, mas é raríssima.

Não se concebe a ideia de que os caboclos, pretos velhos, crianças e exus, entidades de alta estirpe espiritual que militam na Corrente Astral da Umbanda, se manifestem nos terreiros e fiquem procurando as lentes de máquinas fotográficas ou filmadoras, na intenção de verem captada a sua imagem, imagem do médium, ou procure microfone para entoar um ponto. Na verdade, a Ética não se ensina, porque ela é moral. É um conjunto de valores pessoais que representam o verdadeiro eu. Assim, a ética será consequência. Sejamos éticos.

*Tenda de Umbanda Caminheiros do Bem

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