A primavera se abre com Cosme e Damião

Domingo (25/9) será um dia especial no Centro Espírita Caminheiros de Santo Antônio de Pádua. A partir das 19h30, a Casa renderá homenagens a Cosme e Damião, aos ibejis (ou igbeji, em iorubá) e a todos os erês. Tradicionalmente, os festejos ocorrem em 27 de setembro. Os Caminheiros anteciparam a comemoração para dois dias depois de chegada a primavera, a estação das flores. E por que, não? 
"Cosme e Damião, a sua banda cheira,
Cheira a cravo, rosas e botão de laranjeira" 

Na pequena estrofe de uma toada vem um bom motivo para render graças a Olorum pela existência dessa falange magnífica, que esparrama alegria ...
“Beijinhos, beijinhos pra crianças,
“Vêm beirando o mar...”

 Elas chegam, do mar, onde brincam. Chegam das  águas de Iemanjá.
Mais do que qualquer outro dia, domingo será o de recebê-las com uma dose maior de carinho, pelo muito que partilham com todos que chegam aos Caminheiros.
Mas se voltarmos o olhar do coração para o firmamento, nos daremos conta de que entre milhões, “tem três estrelas, todas três em carreirinha... uma é Cosme e Damião, outra é Mariazinha”. Elas são milhares e podem ser chamadas de Pedrinho, Joãzinho, Juquinha, Aninha, Rosinha, Luquinha....Não importa o nome. Estão lá e formam constelações e mais constelações de bênçãos e de fluídos que recaem sobre milhares de pessoas que rogam por ajuda. Com simplicidade, as crianças, os erês estão “na beira d’água, comendo arroz e bebendo água”. Dão-nos exemplos de que a força não está na ostentação, mas gestos humildes e estreita relação com a natureza, um dádiva de Oxalá. É a vida que nasce das águas da Oxum.
Por que não retribuir essa tamanha generosidade e oferecer: “tem doce, tem doce lá no jardim”
Enquanto falamos de Cosme e Damião e de toda essa grandiosa falange, não há como esquecer de Crispim e Doum, amigos desses gêmeos que se dedicaram, quando ainda estavam no plano material, vivendo com médicos, a salvar e proteger as crianças.
Crispim ou Crispiano, filho do rei Tibiriça. Doum “está passeando no cavalo de Ogum”. Para ambos, as sereias batem palmas e querem brincar. E nós também os louvamos. Não queremos estar sozinhos. Queremos partilhar com todos: crianças e adultos esse momento de louvação, de alegria e muito boa energia que emana desses espíritos brilhantes e transformadores da nossa realidade.
Domingo é um dia de festa e será um momento em que poderemos dizer e cantar:

“Hoje, tem alegria,
 No Congá de Antônio,
 Hoje, tem alegria”.

 

Sincretismo
Na Umbanda, as crianças estão associadas aos santos Cosme e Damião. Os gêmeos nasceram na Síria e, quando crescidos, estudaram medicina. Converteram-se aos ensinamentos de Oxalá e, em nome dessa fé, nada cobravam por seus trabalhos. Eram chamados de anárgiros (avessos ao dinheiro). Buscavam apenas que seus pacientes se convertessem também à fé cristã. Essa atividade incomodou o imperador de Roma, Diocleciano, que os perseguiu, trucidou e matou. Os corpos de Cosme e Damião foram recolhidos por seus seguidores e levados para a cidade de Cira, na Síria, e depositados em uma igreja. No século 6, parte das relíquias foi para Roma e depositada em uma igreja que atou o nome dos santos, que são cultuados não só no Brasil mas também em toda a Europa, especialmente na Itália, França, Espanha e Portugal. No Brasil, em 1530, na cidade de Igaraçu, Pernambuco, foi erguida uma igreja em homenagem a Cosme e Damião.

Por terem sido médicos, Cosme e Damião são considerados padroeiros dos médicos e farmacêuticos e protetores de todas as crianças.

Na África

Na África, origem das religiões afro-descendentes, como a Umbanda, Cosme e Damião estão associados, pelo sincretismo, à divindade gêmea da vida: Ìbejí ou Ìgbejì. No candomblé, os espíritos são chamados de erês, responsáveis por trazer às pessoas as mensagens dos orixás.
No estudo das religiões de matriz africana, os gêmeos indicam a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade humana. Revela que todas as coisas, em quaisquer circunstâncias, têm dois lados, que se completam e permitem o equilíbrio.
Embora não sejam os ìbejì (crianças) considerados orixás, na Umbanda, bem como em outros os cultos de matriz africana, são reverenciados como se fossem. Seus poderes jamais são negligenciados ou ignorados. Cada orixá traz uma criança (um ìbejì).

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