Kit anti-homofobia poderá combater também a intolerância religiosa

O governo federal pretende ampliar o polêmico kit anti-homofobia. A ideia é ampliar a publicação, a fim de contemplar todas as formas de discriminação e preconceito, segundo anunciou o ministro da Educação, Fernando Haddad. A nova versão poderá abordar outras formas de intolerâncias, entre as quais as religiosas. Confirmada essa tendência, os cultos de matriz africana, alvos sistemáticos dos ataques dos neopentecostais deverão ser inseridos no kit.
Inicialmente, a publicação do MEC tinha como foco apenas a intolerância de diferentes setores da sociedade às relações homossexuais. A reação ao kit tornou-se mais violenta depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu como legítimas as relações homoafetivas e estendeu aos casais os diversos benefícios até então válidos para os heterossexuais.
A decisão da Suprema Corte foi um grande avanço e em sintonia com a realidade. Apesar de toda a controvérsia que o tema suscita a discriminação aos homossexuais perdeu completamente o sentido.
Os setores mais conservadores e retrógrados da sociedade, principalmente católicos e evangélicos, deferiram rigorosas críticas à iniciativa do Ministério da Educação. O debate estéril, pois o discurso raivoso desses segmentos não tem força para mudar a opção ou orientação sexual de quem quer que seja, terminou a partir da decisão da presidente Dilma Rousseff de suspender a publicação. Ela argumentou que não cabia ao Estado brasileiro interferir na opção sexual do cidadão. Mas deixou claro que o governo não compactuaria com qualquer forma de expressão homofóbica.
Agora, a expectativa de que o governo enalteça o aspecto laico do Estado brasileiro e assegure a todos os cidadãos, igualmente, o direito e a liberdade de culto. Hoje, os neopentecostais insistem e demonizar as religiões de matriz africana. Esse comportamento não se restringe a um discurso de condenação. Eles apelam para a violência, para o vandalismo e agressões físicas aos  umbandistas e candomblecistas. Em alguns momentos, contam com o apoio de pequenos setores das forças de segurança pública.

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