Salve os pretos velhos


Os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua, neste domingo (15/4), vão saudar todos os pretos e pretas velhas. Em uma concepção generalizada, essa maravilhosa falange que chega aos terreiros de Umbanda seria formada por espíritos dos negros escravos. Depois de enfrentarem no plano material extremo sofrimento, ao desencarnarem, eles se tornaram espíritos iluminados, que brindam a todos nós com suas mensagens e ensinamentos. Habilidosos, eles têm domínio sobre a aplicação das ervas, conhecem as energias dos elementos natureza e muita sabedoria acumulada no ambiente rude das senzalas e os conhecimentos trazidos de mãe África.

Da mesma forma, como seres que encarnaram e enfrentaram as mais espinhosas adversidades, os pretos e as pretas velhas são expressão de fé incontestável. Conhecem as energias dos orixás e sabem como tratá-las em favor daqueles que chegam pedindo-lhes ajuda e misericórdia.

Por meio das baforadas de fumaça que sai do cachimbo, das rezas e dos pontos entoados, os pretos e as pretas velhas conseguem transformar energias, invocar as forças dos elementos da natureza e levar à espiritualidade maior apelos em favor dos que pedem seu auxílio.Têm quase sempre palavras de conforto, de solidariedade e de compreensão diante das vicissitudes da vida. Por meio dos ensinamentos que transmitem buscam elevar a autoestima, encorajam e sempre veem uma alternativa diante de toda e qualquer dificuldade. Eles são consoladores.

Aos pretos e às pretas velhas são servidos amendoim, vinho moscatel, pipoca, flores brancas, como as rosas, arruda, guiné e outras ervas. Em algumas casas de Umbanda são servidas iguarias com carne-seca, quiabo e outros pratos que têm relação com o período em que esses espíritos passaram pela terra.

Singelos, grande parte desses espíritos pedem colares de uma semente conhecida como lágrimas de Nossa Senhora. Sorvem pequenas porções e também servem o vinho moscatel na casca do coco seco. 

“É devagar. É devagarinho. Quem caminha com velho nunca ficou no caminho”. Esse trecho de uma toada de Umbanda expressa, não só o jeito manso e sereno dessas entidades, como também a fé na superação das dificuldades. Ensina ainda que as vitórias não chegam com a rapidez desejada. Mas a confiança em Deus e na espiritualidade permite que os obstáculos sejam vencidos. E eles estão lá, sempre ao lado dos filhos de fé, para que não se percam na trajetória da vida, uma etapa evolução de todos os espíritos encarnados.

Os velhos e as velhas exaltam também o 13 Maio — Dia da Abolição da Escravatura, em 1888, no Brasil. Mas a libertação está longe de ser alcançada. Por isso, eles ainda cantam “vovó não quer casca de coco no terreiro, pra não lembrar o tempo do cativeiro”. Nessa toada, eles fazem um apelo em defesa da liberdade, da limpeza dos ambientes e, principalmente, das cascas que acumulamos por meio das atitudes que nos afastam do caminho da evolução e, assim, possamos nos libertar do cativeiro, ou seja, das impurezas materiais e espirituais que nos amarram ao plano material.

É assim, que hoje, os Caminheiros estarão homenageando essa maravilhosa falange, que representa a humildade e fé, virtudes que, vivenciadas em plenitude, nos elevam e nos tornam melhores para cumprirmos com a nossa missão, na condição de espíritos encarnados que buscam a evolução.

Salve todos os pretos e todas as pretas velhas.
Hoje é dia de festa. Hoje tem alegria.


Programação
Festa de Preto Velho
Domingo,15 de maio de 2011
Horário: 19h30
Local: Centro Espírita Caminheiros
de Santo Antônio de Pádua
EQNO 1/3, Lote A, Setor O
Ceilândia - DF


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