Religião, uma visão critica

 
Aramaty
Discípulo de Yamunishida Arhapiagha


Religião, como defini-la ? Segundo os dicionários ela pode ser :culto prestado a uma divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal, conjunto de dogmas e práticas próprias de uma confissão religiosa, a manifestação desse tipo de crença por meio de doutrinas e rituais próprios, crença, devoção, piedade, reverência às coisas sagradas.

Todos temos uma definição pessoal sobre Religião e entendo que todas são importantes e válidas, mas gostaria de proporcionar, inclusive a mim mesmo, alguns momentos de reflexão.

De uma forma ou de outra, buscamos a Religião como meio de satisfazer alguma necessidade, que pode se enquadrar em diversos âmbitos, por exemplo o material, o afetivo,espiritual, entre tantos.

As Religiões hoje existentes nos respondem, satisfazendo nossas necessidades, de acordo com sua metodologia de trabalho, criando em nós ilusão, expectativa, conformismo, satisfação etc. Nós aceitamos ou não estas respostas, e buscamos outro caminho até que nossas necessidades sejam satisfeitas. Veja não estou fazendo juízo de valor e sim relatando o que vivo como “clérigo” há mais de 20 anos.

Este fluxo de prosélitos é mais ou menos intenso dependendo do quanto a corrente religiosa, atende as necessidades de cada individuo. Podemos constatar, por exemplo, que na religião católica este fluxo é aparentemente menos intenso e que os católicos sempre se mantém integrados e fieis na acepção da palavra.

Latu Sensu a Religião atende também interesses outros e muitos acham mais fácil as religiões que “cobram”, mas que nos dão a possibilidade de nos livramos de nossas “culpas” pelo processo da absolvição. Assim são as Religiões “Abraamicas” que estabelecem a relação em pecador e culpado, arrependimento e absolvição.

Strictu Sensu pouquíssimas apelam para o senso de responsabilidade de seus prosélitos. Essas são as mais difíceis de se manter, pois quando não temos como terceirizar nossas dificuldades e somos chamados à razão, a tendência é fugirmos.
Nessa categoria temos a Umbanda que além do que já citei usa o transe, como forma de contato dos vivos com os mais vivos! Além disso, também nos proporciona uma serie de benefícios que fogem de qualquer explicação no âmbito cientifico, mas que atende nossas necessidades. E como atendem... Apesar de atenderem sempre queremos mais e se alguma coisa não sai de acordo com aquilo que nós entendemos como certo tudo o que foi feito é esquecido a reverência se transforma em desrespeito e insensatez... O mundo espiritual nestes momentos funciona como um espelho, refletindo apenas e tão somente aquilo que na realidade somos.
Fiz toda esta contextualização para colocar algumas questões que gostaria que todos respondessem, inspirado pelas palavras do Preto Velho: “ Por que você está no terreiro ?”

Eu respondo perguntando:
O que o mundo espiritual representa para você?

Responder estas perguntas pode parecer fácil, mas será que você estaria no terreiro simplesmente pela reverencia ao mundo espiritual ? Será que se as coisas não fossem como você quer você fica no terreiro, na Umbanda ? Em dado momento você canta loas ao mundo espiritual, pois te livrou de uma demanda, te tirou do caminho alguma dificuldade, te ajudou no trabalho, te ajudou na saúde e em outro momento alguma coisa não atende suas necessidades e ai você esquece tudo e vira as costas para o mundo espiritual. Por que?

Focando mais nossos apontamentos nas humanas criaturas, e olhando a figura do eclesiástico, do clérigo, do sacerdote , como será que as coisas ficam .
Se em nosso meio é ele o intermediário entre o mundo espiritual e os seres encarnados certamente o impacto maior, é ele quem recebe, pois em um segundo de herói ela passa a vilão. Sua mediunidade é questionada, sua postura é reprovada enfim ele não atende mais minhas necessidades.

Mas as pessoas tem memória fraca e esquecem rapidamente, que foi através da mediunidade deste que hoje é vilão que as boas coisas acontecerão, que o astral, que tantos benefícios me trouxe o fez, através deste mesmo que hoje é visto como “vilão”. Que fique claro que não existe lamento em minha escrita, muito ao contrario, estou constatando fatos e se alguém discorda, por favor, argumente estou pronto para o debate de idéias!

Voltando ao eixo principal de nosso raciocínio, eu diria que isso faz parte do oficio do sacerdote Umbandista, sim Umbandista, pois nos outros segmentos religiosos os sacerdotes não precisam a cada rito provar que suas entidades estão ali e que estão fazendo com fiquemos mais ricos, que meu chefe me deixe em paz, que eu consiga aquele cargo que eu quero dentro de meu trabalho, que aquela pessoa que me prejudica saia de meu caminho, enfim que as coisas aconteçam segundo o que eu quero. Fica fácil entender porque muitos ainda vêem Caboclo como um índio e preto velho como um escravo...Como disse ossos do oficio.

Tenho pensado muito nos últimos tempos sobre estas questões e resolvi partilhar com todos para que reflitamos sobre aquilo que queremos de fato do mundo espiritual. O astral não vai deixar de nos ajudar, pois todo trabalhador é digno de seu salário e este trabalho tem que começar por nós mesmos, internamente buscando a melhoria, o aperfeiçoamento que não vem sem muita dedicação e persistência. Não adianta dizer: “Sou orgulhoso mesmo e pronto” isso é buscar o caminho mais cômodo e mais fácil é perder a oportunidade de mudar a frase e dizer “Sou orgulhoso e vou melhorar, pois este orgulho me faz sofrer , afasta as pessoas de mim...” isso sim é buscar a felicidade.

Espero que todos sejam felizes, pois esta é a razão principal do trabalho que como prepostos buscamos realizar. Espero também que todos possam se dedicar a causa Umbandista, certos de que as dificuldades sempre existirão internas ou externas e que trabalhamos todos, para diminuí-las e no devido tempo neutralizá-las. Todos somos seres em construção e assim sendo temos que ser pacientes principalmente conosco mesmo e procurar acima de tudo a assistência de nossos genitores divinos nossos Orixás, Guias e Protetores.
Não quero ditar regras comportamentais ou engessar as pessoas, criando seres sem identidade, o que quero é que respondam as questões que fiz e que reflitam do por que estão sofrendo, qual a parcela de culpa que cada um tem neste sofrimento. Não podemos passar mais uma vez pela terra sem deixarmos um legado positivo para o maior numero de pessoas e principalmente para nós mesmos, pois voltaremos e ao voltarmos como diz o astral, temos que encontrar o planeta melhor do que estava quando o deixamos.paramos por aqui mas continuaremos nossas reflexões em outra oportunidade.
Se tens duvidas não sofra, seja feliz longe ou perto seja feliz !
Que Oxalá abençoe a todos e faça com que tuas tristezas se transformem em alegrias!
É o que eu desejo de coração a todos sem exceção ...

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