Adiada a marcha contra a intolerância

A Marcha Nacional contra a Intolerância Religiosa, marcada para 25 de maio, foi adiada. Os organizadores informaram que uma nova data será definida e todos os interessados serão avisados.A manifestação seria uma resposta da religiodade afro aos continuados ataques que os terreiros de Umbanda e Candomblé têm sofrido nos últimos anos, principalmente por parte dos neopentecostais, apoiados, em algumas cidades brasileiras, pelas forças de segurança do Estado.

Mais recentemente, as mulheres negras foram associadas à promiscuidade por um deputado federal. Em seguida, outro parlamentar da Câmara dos Deputados referiu-se aos negros como um povo amaldiçoado.
Todas essas manifestações de violência mostram o quanto o racismo é algo vivo na sociedade brasileira. Vários grupos em diferentes cidades brasileiras criaram comissões contra a intolerância religiosa.
A tolerância é suportar ou aceitar mesmo contra a própria vontade algo ou uma situação.

Mas não é isso que a religiosidade afro deseja. Umbandistas e candomblecistas exigem respeito. Essa exigência tem amparo na Constituição brasileira, que estabeleceu o estado brasileiro como laico e garantiu a liberdade de culto e religião, reconhecendo a pluralidade existente no país.

Portanto, a crise que ocorre hoje entre alguns setores da sociedade e as religiões de matriz africana reflete uma afronta à Constituição,.Assim, é fundamental que o Poder Público atue para coibir os desrespeitos à Constituição e direcione as ações das forças de segurança pública para garantir a liberdade de culto no país. Nada justifica as agressões verbais, sobretudo quando elas têm origem nas declarações de legisladores, que incitam a violência. Mais ainda: cabe ao Estado impedir a depredação dos terreiros. Isso é crime e como tal deve merecer do Estado e da Justiça a punição correspondente.

A Marcha contra a Intolerância têm, entre outras, a função de cobrar do governo e do Congresso Nacional uma ação efetiva contra essa sucessão de episódios que afrontam a religiosidade afrodescendente e seus espaços de culto.

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