Ogum, o senhor dos Caminheiros para sempre


No próximo domingo, 24 de abril, a partir das 19h30, o Centro Espírita
Caminheiros de Santo Antônio de Pádua renderá homenagens ao orixá Ogum

A partir de amanhã, entramos em contagem regressiva para uma das mais importantes festas dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua. Domingo próximo, a partir das 19h30, os Caminheiros estarão rendendo homenagem a Ogum, o orixá da luta, do ferro, senhor das guerras e cuja proteção todos invocam nos momentos difíceis.

Para os Caminheiros a data é uma das mais significativas. A casa foi erguida sob o signo desse orixá por meio do guia-chefe Ogum da Floresta, mentor espiritual da fundadora do centro Antônia Lins.
Sobre Ogum há muitas lendas. Mas a maioria remete à sua generosidade de repassar aos outros orixás e aos homens o segredo de forjar o ferro para a produção de instrumentos voltados à agricultura e também às armas de defesa.

Essa generosidade de Ogum sempre inspiriou os trabalhos dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua, conforme concebido por Ogum da Floresta. Como um dos patronos da Casa, Ogum da Floresta acolhia a todos, mas guardava uma generosidade especial para as crianças. Até hoje, mais de duas décadas depois do desencarne de Antônia Lins, invoca-se "as crianças de Ogum da Floresta" para a superação das dificuldades.
 
A distribuição de balinhas a todos que chegam para consultar quaisquer um dos guias da casa foi um gesto preservado nos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua. Era assim que Ogum da Floresta agradava a todos que iam à casa. Mas o presente não tinha apenas um apelo material de adoçar o paladar dos frequentadores. Ali estavam as energias desse guia maravilhoso. Inesquecível, sua marca e força permeiam cada  milimetro do centro.

Festejar Ogum é um momento para refletir sobre os ensinamentos de Ogum da Floresta. A simplicidade, o carinho e a benevolência com as quais recebia todos que chegavam nos Caminheiros. Ele transmitia uma fé inabalável em Oxalá e em todos os outros Orixás, aos quais sempre pedia permissão para a realização dos trabalhos. As orixás femininas - as iabás - e as energias da água também envolviam o trabalho que ele realizava na doutrinação dos espíritos menos esclarecidos. 

Por mais que os anos nos distanciam dos momentos em que convivíamos com Ogum da Floresta, mais fortes são a saudade e a convicção da sua presença dentro da Casa. Sente-se sua energia à medida que nos aproximamos do dia de homenagear Ogum. Que Oxalá permita sempre aos Caminheiros serem dignos dos cuidados desse orixá e de todos os outros que compõem o panteão da espiritualidade maior.

A festa de Ogum de 2011 é especial para os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua em seu 40º aniversário, uma data que marca a maturidade da casa. Mais do que nunca nos permite agradecer a Deus pela perenidade do centro, nascido da energia, da força, da fé e da verdade de Ogum da Floresta, o senhor dos Caminheiros para sempre.

Abaixo, trazemos uma das muitas lendas sobre Ogum:

Ogum e o conhecimento do ferro

Na Terra criada por Oxalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade.Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole.
Por isso o trabalho exigia grande esforço.Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era necessário plantar uma área maior.
Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área da lavoura. Ossaim, o orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno.
Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Ossaim, todos os outros orixás tentaram um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terrno para o plantio.
Ogum,que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então.Ogum pegou seu facão, de ferro,f oi até a mata e limpou o terreno.
Os orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão.Ogum respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá (Ifá).
Os orixás invejavam Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra. Por muito tempo os orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para sí. Os orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca de que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta.
Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de ferro.
Mas, apesar de Ogum ter acietado o comando dos orixás, antes de mais nada ele era um caçador.
Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada.
Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho.
Os orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado.Ogum se decepcionou com os orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora diziam que não era digno de governá-los. Então Ogum banhou-se,vestiu-se com folhas de palmeiras desfiadas,pegou suas armas e partiu.
Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da árvore de acocô e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não o esqueceram.
Todo mês de dezembro,celebram a festa de Iudê-Ogum,caçadores, guerreiros,ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogum. Ogum é o senhor do ferro para sempre.
 

Referência Bibliográfica
PRANDI,Reginaldo: Mitologia dos Orixás.São Paulo: Companhia das Letras,2001

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