Intolerância religiosa: mais uma versão do racismo

Um relatório apresentado pela organização não governamental Minority Right Groups International (MRG) explica que a intolerância religiosa se converteu numa das principais causas de perseguição das minorias no mundo. A ONG ,sediada em Londres e representações em 60 países, denuncia detenções, torturas e restrições às liberdades fundamentais em todo o planeta.

Mark Lattimer, diretor da MRG apontou que o relatório de sua organização, “o aumento do nacionalismo religioso, a marginalidade econômica e os abusos derivados das leis antiterroristas estabeleceram uma pauta crescente de perseguição das minorias religiosas”.

Assim,ainda segundo Lattimer, “a intolerância religiosa é o novo racismo e muitas comunidades que enfrentaram discriminações raciais durante décadas são agora perseguidas por causa de sua religião”. Os fatos demonstram que as afirmações de Lattimer são preocupantes.

Em outubro do ano passado, durante a celebração de uma missa em Bagdá, um terrível atentado acabou com a vida de cinqüenta e oito fiéis. Aquele trágico massacre foi um alerta que abriu os olhos de muitas pessoas sobre a situação em que vivem as minorias cristãs em diversos países da Ásia e África. Desgraçadamente o atentado de Bagdá não foi um fato isolado.

Outro fato lamentável aconteceu no primeiro dia de 2011, quando um carro bomba se chocou contra uma igreja em Alexandria (Egito) deixando um saldo de 21 mortos e centenas de feridos. Segundo as autoridades egípcias o ataque foi cometido por um terrorista suicida.

O que dizer da atitude intempestiva do pastor Terry Jones, da igreja Dove World Outreach, nos Estados Unidos,quando em setembro de 2010,publicamente conclamou aos fieis a participarem de seu plano de queimar cópias do Alcorão? Segundo ele, o Alcorão é o responsável pelos ataques terroristas.

Constatamos, com grave preocupação, que a liberdade religiosa está sendo objeto de agressão nos últimos anos desde diferentes flancos, com crescente virulência em algumas partes do mundo. Às vezes se trata de maiorias que impõem sua concepção da vida às minorias e pretendem eliminar a discordância. Outras vezes se trata de minorias intolerantes que tratam de impor à maioria um espaço público do que se tenham erradicado as expressões de religiosidade vivas numa sociedade.

Não há que confundir liberdade religiosa com conflito. Também se poderia dizer que o laicismo é claramente ofensivo e conflitivo. O mesmo se poderia dizer do socialismo, que propugna precisamente a luta de classes, isto é, a confrontação social.

De um lado temos o Islã, que por sua vez, faz a guerra santa ao infiel. Do outro, há o cristianismo, independentemente da doutrina professada.

Teria que pensar então quem são os que criam conflitos: quem tem em seu ideário o Evangelho do amor, ou quem segue livros doutrinários revolucionários e crescem graças ao derramamento de sangue e o medo.
A história mostra a resposta bem claramente.


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