Ações contra a intolerância religiosa


A pluralidade religiosa e a liberdade de culto, embora reconhecidas pela Constituição brasileira, não são respeitadas no país. Há uma franca oposição aos cultos de matriz africana, o que tem exigido das comunidades de terreiro uma organização cada vez maior para o enfrentamento das seguidas ações de violência e perseguição. Em pleno século 21, vive-se situações semelhantes às dos anos 1900 e 2000. As atitudes são protagonizadas, em sua maioria, pelos evangélicos neopentecostais, que contam com a omissão do Estado.

Contrapondo-se à violência reinante e a fim de exigir do poder público ações mais enérgicas do Estado brasileiro para garantir seus direitos, umbandistas e candomblecistas, na maioria das unidades da Federação começaram a organiza passeatas, caminhadas e manifestações alusivas a 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, está marcada para o dia 22, a manifestação "Passo a passo - Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa", coordenada pelo Movimeneto das Religiões de Matriz Afro (Morema), com apoio da prefeitura do município.

No Rio Grande do Sul, os integrantes de terreiros também ganharão as ruas no dia 21 para chamar a atenção das autoridades. Será "3ª Marcha Estadual pela Vida e Liberdade Religiosa do Rio Grande do Sul - Unidos seremos fortes", organizado por José Antônio dos Santos da Silva. O ponto de partida será o Largo Glênio Peres - Mercado Público, a partir das 18h.

No decorrer dos próximos dias, o blog dos Caminheiros trará informações sobre as manifestações que ocorrerão em outros estados brasileiros.

CONGRESSO NACIONAL

No seu discurso de posse, a presidente da República, Dilma Roussef, comprometeu-se a combater todas as formas de discriminação e intolerância. Em contrapartida, nas eleições de outubro último, a bancada evangélica cresceu. Em 2 de fevereiro, tomarão posse 63 deputados e três senadores evangélicos. Na legislatura que se encerra, eles somavam 43 e tesmunhou-se a grande força dessa bancada nas decisões do Legislativo federal. A maioria dos políticos teme contrariá-la, de olho nas eleições seguintes. Sabem que precisam do voto evangélico para chegar ao poder.

O processo eleitoral, que levou Dilma ao Palácio do Planalto, foi, em boa parte, influenciado pela força política dos religiosos (evangélicos e católicos), em torno de um tema polêmico: o aborto. Dilma refez parte do discurso de campanha para evitar a animosidade dos dois segmentos, o que demonstra a força política dos evangélicos e católicos.

Essa conjuntura, em parte adversa aos interesses e direitos dos umbandista e candomblecistas, exige de todas as comunidades de terreiro uma organização maior para enfrentar a intolerância religiosa no país.


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