Votar exige reflexão

Vários sites e redes sociais voltados à difusão da Umbanda e dos cultos afro-brasileiros estão engajados na campanha eleitoral, cujo segundo turno ocorrerá dia 31 próximo. Os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua optou pela neutralidade. A liberdade do voto é uma decisão muito pessoal, tal como o livre arbítrio.
No entanto, os Caminheiros lamentam que nas eleições de 3 de outubro último o povo de terreiro não tenha conseguido, a exemplo de outras religiões e cultos, levar para o Congresso Nacional pessoas que possam ser porta-voz dos direitos e interesses dos seguidores das religiões de matriz africana. Um bom exemplo dessa incapacidade foi o fato de o Rio de Janeiro não ter eleito o candidato Átila Nunes Neto, cuja família, há cerca de 60 anos, tem sido uma defensora da Umbanda e de outras religiões afro-descendentes.
Os problemas enfrentados pelos umbandistas e candomblecistas, frente ao avanço da intolerância religiosa patrocinada pelos neopentecostais, são crescentes. Em várias unidades da Federação, os terreiros são violados, os dirigentes e seguidores agredidos, sem que as autoridades façam cumprir o direito constitucional de liberdade de culto e religião. Na capital da República, a situação não é menos grave. No Distrito Federal, os governantes alijaram os terreiros dos benefícios das políticas públicas. As áreas públicas para as igrejas são destinadas com exclusividade aos católicos e evangélicos, como se os umbandistas e candomblecistas inexistissem em Brasília.
Assim, no DF, os terreiros são empurrados para a periferia ou para os municípios vizinhos de Goiás e de Minas Gerais. Há um movimento silencioso ou quase um acordo tácito para impedir que os terreiros possam funcionar na capital federal.
Cresce, portanto, a necessidade de formação de um movimento organizado para enfrentar esse processo discricionário que ignora a existência do povo de terreiro em plena capital do país, o que expressa um processo em crescimento de discriminação repudiável em todos os aspectos.
A reflexão na hora de votar é fundamental para a luta em respeito aos umbandistas e candomblecistas de todo o país.

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