Salve Xangô!

 
Pelo sincretismo, Xangô está associado a São Jerônimo

Hoje, a partir das 20h, os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua vão homenagear Xangô, o orixá da justiça. Será mais uma noite de alegrias e de expressão de fé dentro da Casa de Santo Antônio.
Será o momento de agradecer pelas inúmeras ajudas que este grande orixá proporciona a todos que chegam aos Caminheiros. Tradicionalmente, Xangô é comemorado em 30 de setembro.
Pelo sincretismo religioso, Xangô está associado a São Jerônimo, São Pedro e São João Batista. O seu poder se manifesta na pedreira. Seu símbolo é o machado de duas faces (oxé): uma representa a proteção dos eus filhos das injustiças e a outra a punição aos que erram. A estrela de seis pontas, que significa o equilíbrio do universo, é outro símbolo de Xangô.
Sobre Xangô há quase 40 lendas. São histórias que falam de suas batalhas, conquistas e virtudes que o levaram à condição de orixá. Algumas são mais significativas e têm relação com os poderes atribuídos a Xangô, o quarto lendário rei Oyo, cidade na região Yorubá, na Nigéria, país africano. Entre esses atributos destacam-se a justiça e o domínio de Xangó sobre os raios, o fogo e as pedreiras.

Lendas

Na mitologia africana, Xangô surge
dominando o fogo e os raios, com
seu machado duas faces (o oxé)
A relação de Xangô com os raios e a justiça está ligada a uma passagem de sua vida em que seus guerreiros eram capturados, torturados, mutilados e mortos sem piedade. Os inimigos de-volviam os pedaços dos corpos a Xangô. Indignado e deses-perado, Xangô sobe ao alto de uma pedreira e consulta Orun-mmilá (divindade da profecia, da adivinhação, do conhecimento e da sabedoria) sobre o que deveria fazer). Dominado pela ira, Xangô começa a bater nas pedras com o oxé (machado duplo) e começaram a sair faíscas (pedras de fogo ou edum ará), que se tornavam línguas de fogo e devoravam os inimigos. Os chefes das legiões adversárias que, antes, haviam dizimados os soldados de Xangô, foram liquidados pelos raios de Xangô. Os soldados que sobreviveram foram poupados e Xangô, vencedor da guerra, passou a ser reconhecido e admirado pelo seu senso de justiça.
A saudação tradicional a Xangô é "Kawô (caô) kabiyesi (cabicilé) obá Kossô", que traduzido do iorubá quer dizer "viva sua majestade Xangô, rei de Cossô". No Brasil, no decorrer das décadas, essa saudação foi reduzida a "caô, cabicilê" (viva sua majestade). Esse tratamento dispensado a Xangô também está ligado a outra lenda. Quando jovem, Xangô saiu em busca de aventuras, levando um saco de couro onde guardava seus se-gredos, entre eles o poder de lançar pedras de fogo. Ao chegar em Cossô, ele foi rejeitado pela comunidade. Magoado, usou dos seus poderes e castigou o povo. Diante de tamanhos poderes, os moradores de Cossô caiu a seus pés e pediu clemência. Xangô perdoou a todos e tornou-se rei. Foi um governo de justiça e de grandes obras. Assim, Xangô conquistou o carinho e o respeito do povo de Cossô, que o saudava: "Cabicilé Xangô, caô cabicilé obá Kossô" (Via sua majestade Xangô, rei de Cossô).
Hoje, é para este grande orixá que voltamos nossos pensamentos e preces, rogando-lhe proteção, justiça e ajuda em nossos momentos difíceis. Que a sua proteção e força estejam sempre nos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua, bem como sobre todos os seus filhos e naqueles que lá chegam em busca de ajudal. Agradecemos a ele todas as bênçãos e as graças que nos foram concedidas.

Salve Xangô, o rei!

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