Hora de pensar duas vezes

As redes sociais voltadas às religiões de matriz africana estão fazendo uma reflexão sobre o cenário político nacional. Encerrado o primeiro turno das eleições, dentro de 27 dias os brasileiros estarão voltando às urnas para decidir quem presidirá o Brasil e governará vários estados e o Distrito Federal, que levaram a disputa para o segundo turno, em 31 de outubro.

O debate político continua vivo e exige individualmente uma responsabilidade maior com o coletivo. Não é momento de pensar em interesses particulares. Mas é hora de avaliarmos com muita seriedade, sem qualquer pitada de egocentrismo, o que é melhor para todos. Sim, porque se o meu irmão ou irmã está bem, isso vai se refletir na minha vida e na de outras pessoas. Em resumo, haverá uma onda de bem-estar, que tornará a nossa sociedade melhor e nos permitirá agregar forças suficientes para exigirmos adequados sistemas de saúde, de educação, de segurança e vários outros que afetam a qualidade de vida de cada indivíduo, de cada comunidade e, finalmente, de toda a sociedade. E, somente assim, estaremos, sem distinção, usufruindo o que convencionamos chamar de desenvolvimento.
Mas essa melhoria não se reflete apenas no bem-estar material que, embora importantíssimo, não pode estar dissociado da liberdade individual. Liberdade que nos permite ir e vir, conduzir a nossa vida e tomar atitudes condizentes com os ensinamentos de Oxalá: "Faça ao outro aquilo que desejaria para você".
Entre os vários desejos dos umbandistas e candomblecistas está o de praticar a nossa religião sem o temor, sem a insegurança de que, a qualquer momento, poderemos ser vítimas da intolerância e da agressividade daqueles que demonizam as religiões de matriz africana.
Nos últimos anos, são fartos os exemplos de intolerância e de violência contra os terreiros de Umbanda e Candomblé em total afronta aos ditames constitucionais que reconhecem a diversidade religiosa e cultural do nosso país.Cresce enormemente a nossa responsabilidade no momento da nossa escolha.

Nunca é demais lembrar que umbandistas e candomblecistas, por filosofia e doutrina, são construtores de cultura de paz. Como a maioria das religiões, a Umbanda e o Candomblé pregam as boas relações entre os homens e entre estes e a natureza. Pregam respeito às diferenças e acolhem em seus terreiros adeptos de toda e qualquer outra religião, em momentos e gestos de acolhimento eclético.
A recíproca raramente ocorre.

Umbandistas e candomblecistas não são bem aceitos em outros templos religiosos. As deficiências na educação formal das pessoas e a exclusão dos elementos da cultura afrobrasileira dos currículos escolares colaboram para essa triste realidade. Fortalece uma conjuntura adversa à diversidade de práticas religiosas de matriz africana, e reforça a suspeita de uma tentativa contumaz de reduzir ou oprimir a pluralidade de cultos no país.

Não conseguimos, lamentavelmente, no Rio de Janeiro eleger o candidato a deputado federal Átila Nunes Neto, que seria uma voz em defesa da Umbanda e do Candomblé dentro do Congresso Nacional. Em contrapartida, no Distrito Federal chegou à Câmara dos Deputados a distrital Érika Kokay que teve uma ação voltada à defesa dos direitos humanos e agiu como aliada dos terreiros locais, estigmatizados e alijados das políticas públicas, principalmente daquelas voltadas à concessão de espaços para a construção dos terreiros, que sempre privilegiaram as religiões tradicionais (católica e evangélica).

Daí, a importância da nossa escolha. Não para revidar a discriminação ainda existente. Mas para garantir o cumprimento das leis e o respeito a direito individual e coletivo de praticarmos em paz a nossa religião. Precisamos de mais aliados para fazer prevalecer o nosso direito e favoreça o atendimento das nossas legítimas reivindicações.


Antes de votar, reflita!

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