A ira do pastor e os umbandistas

Há algumas semanas, à véspera do 11 de setembro, um pastor norte-americano anunciou a queima do Corão ou Alcorão, livro sagrado que contém o código religioso, moral e político dos muçulmanos ou maometanos. A ameaça, que acabou não se consumando, era uma demonstração de revolta e ira contra os muçulmanos. Uma expressão de vigança, regada a muita intolerância religiosa. A ofensa do pastor aos valores religiosos do islâmico é muito parecida com o que ocorre entre os umbandistas e candomblecistas, quando têm seus terreiros e seus valores ultrajados pelos neopentecostais, aqui no Brasil. Os dirigentes dos terreiros são agredidos, seus símbolos religiosos destruídos, suas casas vilipendiadas pelos extremistas religiosos, que se insurgem contra a pluralidade religiosa, uma das principais características da nação brasileira.
Eis aí a necessidade de uma reflexão profunda para quem iremos, em 3 de outubro próximo, dar o nosso voto. Ao contrário de outros setores organizados da sociedade brasileira, umbadistas e candomblecistas não têm dentro do Congresso Nacional ou em outras instâncias de poder legislativo nenhum representante que seja porta-voz das reivindicações, interesses e direitos dos adeptos das religiões de matriz africana.
Precisamos pensar e reverter essa correlação de força política, hoje tão prejudicial aos nossos direitos como umbandistas e candomblecistas.
Precisamos eleger pessoas comprometidas com os nossos valores que vão além de prática religiosa, mas que ditam o nosso comportamento como cidadãos em uma sociedade plural e que pretende amadurecer os valores democráticos e construir a justiça social.
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