Ensino religioso

Há algumas semanas, colocamos neste blog a indagação "Você é a favor do ensino religioso na rede pública?".
O resultado da enquete dividiu a opinião dos internautas. Para metade dos participantes, as escolas devem incluir na grade curricular o ensino religioso. Outros 50% se manifestaram contrários à proposta. Se levarmos em conta que o Estado brasileiro, de acordo com a Constituição de 1988, é laico, quem votou contra tem razão. Mas até que ponto a formação religiosa faz falta às crianças e jovens, sobretudo quando testemunhamos tantos adolescentes enveredarem pelos descaminhos da vida, muitos deles por absoluta falta de valores? Mas essa é uma reflexão mais profunda, que poderemos fazer um pouco mais adiante.
A enquete objetivou fazer uma provocação diante do avanço da intolerância religiosa em nosso país. Reafirmou também a preocupação dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua com essa atitude desrespeitosa, quando o nosso país tem como características principais a pluralidade étnica, cultural e religiosa. Esses aspectos tornam o Brasil um país diferente, onde não cabem a intolerência, o preconceito e a discriminação de qualquer natureza. Porém, o governo do Estado de São Paulo restringiu o ensino religioso na rede pública de ensino a três vertentes das diversas expressões de fé: católica, evangélica e judaíca. Ignorou todos os demais cultos e religiões que compõem o tecido cultural e religioso do povo brasileiro.
O silêncio dos líderes religiosos diante desse comportamento do governo paulista é preocupante. Primeiro, porque o poder público não poderia tomar uma decisão que contraria a Constituição Federal. Segundo, um estado como São Paulo, de relevante importância política e econômica, ao tomar uma decisão que ignora as religiões de matriz africana — Umbanda e Candomblé —, direta ou indiretamente, acaba por fortalecer a onda de intolerância religiosa que vem arrasando terreiros, ameaçando a integridade física dos líderes religiosos pelos neopentecostais. O que hoje parece apenas uma tentativa inocente de introduzir o ensino religioso nas escolas públicas poderá ser, mais adiante, em um espaço de construção de uma cruzada contra todos os que professam outras religiões. O alerta está dado. É fundamental que haja uma reflexão coletiva sobre o tema. Mas só isso não é suficiente. Precisamos aprofundar nossos conhecimentos sobre a religião que escolhemos seguir para consolidar argumentos que se contraponham, pela força da palavra, aos que buscam erradicar os terreiros do nosso país. Precisamos estar unidos para garantir a pluralidade religiosa.

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