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A Umbanda não é popular

Por Douglas Fersan

A palavra “popular” pode ter duas interpretações. A primeira delas refere-se a algo ligado a pessoas humildes, do povo e até – sem querer, em hipótese alguma, demonstrar algum tipo de preconceito social – a pessoas de pouca instrução formal. Outra interpretação que pode ser dada à palavra “popular” é aquela que se refere aos fenômenos de massa. Nesse caso, a Umbanda não é popular.
Longe de ser elitista, pois bem sabemos que não é o caso, a Umbanda não é popular no sentido de abranger e mobilizar grandes massas. Populares são as religiões neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus ou a Renascer em Cristo, por exemplo. Essas sim, são populares, atingem grandes públicos, mobilizam multidões e lotam estádios a um simples chamado de seus líderes (e que isso não seja entendido como uma crítica, ao contrário, é um fator positivo dessas religiões, deixando juízo de valores de lado).
A Umbanda mobiliza suas multidões em datas específicas, como as festividades a Iemanjá, como as ocorridas nos municípios de Praia Grande e Mongaguá, mas que na verdade trata-se da reunião de diversos micro-universos umbandistas, utilizando apenas a mesma data e local para seus cultos, na maior parte das vezes, diversificados. Nas demais datas, o que se vê são alguns terreiros lotados de pessoas em busca de curas ou soluções para seus problemas materiais – pessoas essas que em sua maior parte não retornarão após solucionadas suas questões – ou pequenos templos improvisados, onde irmãos-de-fé movidos a boa vontade arrastam alguns móveis a fim de abrir espaço para atender alguns poucos necessitados que os procuram – e que dificilmente também retornarão após a solução de seus problemas.
A Umbanda é popular no sentido de ter nascido e sobrevivido dentro das camadas mais humildes da população, mas está longe de ser um fenômeno de popularidade. Seria mais correto então, afirmar que a Umbanda, além de um caminho, uma religião e uma filosofia de vida, é também um movimento de resistência, pois mantém viva a tradição, a história e a luta de um povo miscigenado, que não se entregou e não abriu mão de suas raízes.
A Umbanda é perfeita. Tão perfeita que abriga em seu seio as mais variadas vertentes espiritualistas e os mais diversos segmentos sociais, pois na dor todos se igualam, e na busca da solução de seus problemas, orgulhos desmoronam como castelos de areia e doutores, mestres e PHD’s dobram-se à sabedoria e à simplicidade de um preto velho sentado em um banquinho.
A Umbanda não precisa ser popular. Ela precisa ser aprendida, vivenciada e assimilada por aqueles que a praticam. E precisa ser respeitada por aqueles que não a praticam e a desconhecem. Para isso, a Umbanda não precisa ser popular, ela precisa ser desmistificada e exemplificada pelos seus filhos, que tantas vezes agem como pródigos ou adolescentes rebeldes, esquecendo os ensinamentos daquela que os ampara.
A Umbanda é séria e por vezes severa, mas é mãe, e como tal, acolhe seus filhos, mesmo os mais rebeldes.
A Umbanda não é popular, mas é do povo.
É a Umbanda, e isso basta.

Comentários

creusa braga disse…
A clareza com que o autor descreve os fatos nos transmite a certeza de que se trata de alguém conhecedor do que se passa no dia a dia em centros espíritas umbandistas. Se ao mesmo tempo nos consola saber que a nossa escolha tem uma razão de ser, por outro lado, nos possibilita refletir sobre a nossa responsabilidade na busca de caminhos para a sobrevivência do movimento umbandista. Se ao mesmo tempo precisamos entender e aceitar a missão que escolhemos, sem cobrança daqueles que buscam a cura e o consolo no terreiros umbandistas, também haveremos de buscar forças e orientações para fortalecer o movimento umbandista na sociedade brasileira. A união entre as casas umbandistas, a postura de seus seguidores e a busca de respeito por parte das autoridades constituídas são caminhos que precisam ser trilhados com determinação.
Anônimo disse…
Excelente a forma do autor expor suas idéias. Fala com clareza e conhecimento. Texto muito informativo e didático.
Anônimo disse…
A umbanda é grande, nós é que somos pequenos diante dela. A umbanda é verdadeira luz divina, pois ela tem a capacidade de iluminar o caminho que leva a evolução, que leva a Deus.
A umbanda está sempre a nos esperar como uma mãe que espera seu filho. E quando a encontramos ela nos dá amor e carinho sempre querendo o nosso bem.
Realmente a nossa umbanda é perfeita.

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