Estudar é desenvolvimento

A formação de um padre ou e uma freira leva muitos anos. Quem quer seguir a vida religiosa passa muito tempo nos bancos dos seminários ou dos conventos. É testado na sua vocação, antes de ser ordenado. Os evangélicos verdadeiros também têm muito que estudar para chegar à condição de pastores. Ou seja, as religiões seculares exigem dos seus praticantes e dirigentes anos a fio de estudo. Esse processo implica renúncia de muitas coisas agradáveis que a vida oferece para que garantir solidez a essa formação.

E nós umbandistas? Quase nada nos é exigido. Diante dos fenômenos espirituais, buscamos um centro espírita, somos informados dos nossos dons mediúnicos e acabamos dentro do terreiro. Mas o que sabemos da Umbanda, da religião que nos candidatamos a seguir? Nada ou quase nada. Deixamos que a espiritualidade nos conduza. Se algo de bom nos acontece e coincide com os nossos desejos, é mais uma graça de Oxalá e dos orixás. Se as coisas não vão bem, como queríamos, atribuímos à ação de um obsessor. Os mais exagerados dizem que tudo está dando errado em suas vidas devido a algum “trabalho” ou “feitiço” que lhe jogaram em cima.

Nem tanto aos céus, nem tanto ao mar. As situações citadas existem. Alcançamos muitas graças por bondade divina e dos orixás, em razão do nosso merecimento. Somos alvos fáceis dos obsessores e não estamos livres de uma energia negativa que nos foi direcionada por algum desafeto.

Mas como entender e saber separar cada uma dessas situações?
Essas indagações são primárias e, na maioria das vezes, são fáceis de serem respondidas. Mas há tantas outras dúvidas que tomam conta da nossa mente e não sabemos como nos livrar delas. E por que isso acontece? Porque não nos preocupamos em estudar a Umbanda que praticamos. Não temos interesse em entender o que estamos fazendo. Achamos que basta chegar no terreiro, trocar de roupa, conversar com os amigos e entrar no terreiro e emprestar o nosso corpo à incorporação dos nossos guias. Será mesmo que isso é suficiente? Ou será que a espiritualidade não espera um pouco mais de cada um de nós? Será que temos condições de, com convicção, defender a religião que estamos praticando?

Se entendemos a Umbanda como uma religião que busca a evolução espiritual do indivíduo e da sua cúpula espiritual, não podemos nos contentar com a ignorância.

Se entendemos que os avanços do conhecimento são benesses de Oxalá e que (re)encarnarmos para ser felizes, então, precisamos acompanhar essa evolução que ocorre no campo material e, assim, colaborar com a evolução daqueles irmãos que estão no plano astral e precisam do nosso corpo material para estabelecer uma comunicação positiva com os outros irmãos.

Hoje, os umbandistas e candomblecistas são alvos de ataques violentos. Os terreiros são destruídos. Umbandistas e candomblecistas são humilhados. A reação se ampara na legislação, mas pouco se fala dos aspectos filosóficos da Umbanda e dos seus fundamentos religiosos para nos impormos neste cenário que abriga milhares de seitas, cultos e religiões reconhecidas.

Não nos preocupamos em estudar a história da nossa religião, os seus fundamentos e a sua essência filosófica. Não nos preparamos, como ocorre em outras práticas religiosas, para defender a nossa religião, a nossa Umbanda. É fácil deixar tudo nas mãos da espiritualidade, quando as ofensas são materiais.

Oxalá nos ensinou: “Faça por onde que te ajudarei”. E o que estamos fazendo?

Recusamo-nos a participar de grupos de estudo sobre a Umbanda. Rejeitamos as aulas de doutrina e quase nunca nos dispomos a ficar uma ou duas horas ouvindo a palestra daqueles que se dedicaram anos de suas vidas a estudar os fenômenos espirituais da Umbanda e do Espiritismo. Sequer nos damos ao trabalho de ler bons livros que sanem nossas dúvidas.
Estudar também é parte importante do nosso desenvolvimento mediúnico. É obrigação daqueles que estão dispostos a praticar a Umbanda. É fundamental para que a nossa Umbanda ganhe o respeito e o reconhecimento que lhe são devidos. É nossa responsabilidade, como umbandistas, impedir que achincalhem a nossa fé, os orixás, nossos guias e protetores. Estudar e compreender os fundamentos religiosos e filosóficos da Umbanda é mais que uma obrigação, é uma manifestação de amor e respeito à Espiritualidade Maior, que rege nossos caminhos e nos protege.
Paz de Oxalá a todos.

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