A tragédia do voo 447 da Air France

Por Hugo de Carvalho Ramos,
membro do Instituto dos Advogados de Minas Gerais
Jornal de Uberaba

Por que uma aeronave dotada do que há de mais avançado em tecnologia sucumbe e deixa no oceano mais de 200 pessoas mortas?Quais os motivos determinantes do fato ocorrido?Muitos dirão: desastres existem tanto na terra como no céu, a estatística aí está para confirmar que é mais seguro voar que andar, por exemplo, nas ruas do Rio de Janeiro, de São Paulo, etc. É verdade que assim seja, mas isto não retira a impossibilidade de se fazerem escolhas.


O caminho já está delineado por Deus.Não somos nós que vamos de encontro ao destino, é ele que vem ao nosso encontro.São dezenas de exemplos no cotidiano. O passageiro que tinha seu voo marcado para tal dia e hora e não embarca. Depois vem a saber que o avião caiu e centenas de pessoas morreram.Naquele desastre da TAM, no percurso Brasília - Rio de Janeiro, o piloto pede ao colega que o substitua e depois vem a saber da fatalidade.

No voo da Air France, percurso Rio de Janeiro - Paris, muitos acontecimentos podem ser considerados e que definem a fatalidade, pré-conhecida pelo Divino. Há o caso verídico do filho que chegou atrasado para o embarque, com avião na pista. Mesmo assim consegue adentrar na aeronave, apesar das súplicas da mãe para que adiasse a viagem.O conceito de Destino é antiquíssimo e assaz difuso, porque compartilhado com todos os filósofos que de algum modo admitem uma ordem necessária ao mundo.
O Destino consiste em escolher o que já foi escolhido, sem projetar o que já foi projetado, em representar para o futuro possibilidades que já foram apresentadas.A noção de Destino implica numa ordem total que age sobre o indivíduo determinando-o; o indivíduo não se apercebe necessariamente nem da ordem total nem da sua força.

O Destino é cego.Pode-se afirmar como muitos filósofos que os motivos influenciam a vontade com a mesma certeza e a necessidade com que a força da gravidade age sobre uma pedra; e que embora o homem frequentemente se censure por não ter agido de outro modo, o exame da sua conduta demonstra que isso era impossível e que ele não poderia ter agido senão daquele modo. Tudo, pois, acontece em virtude de uma relação rigorosa - e quase matemática. É a causalidade necessária e da previsão infalível.

O Destino é o oposto do reconhecimento do acaso e do arbítrio absoluto. Por isso é conhecida a opinião de Einstein de que "Deus não joga dados". Isto explica a ideia de um determinismo ou causalidade regida no Universo físico. Essa extensão do conceito de Destino ligado ao Determinismo Absoluto vem de Espinosa, filósofo alemão.

A doutrina Kardecista faz referência a esse determinismo, ao destino dos seres humanos que têm de passar por provas e expiações como resultado de suas outras vidas, quer queiram, quer não. Aqui, o Livre Arbítrio cede passo a menos que se dê ao indivíduo a opção de escolha: reencarnar ou não. As regras doutrinárias do Catolicismo apegadas à predestinação e à providência Divina introduzidas, entre outros, por Santo Agostinho, acrescentam o direito à misericórdia concedida por Deus, hipótese que consiste na revogação do que foi antes determinado.

Penso que as ações e a conduta humana resultam do destino reservado a nós todos, simples mortais.E, como diz o poeta e o povão, chegado o dia de abotoar o paletó, não há choro nem vela, o ser humano deixa esta vida e se alça ao outro mundo, com certeza melhor do que o nosso - que é um vale de lágrimas.

Comentários

creusa braga disse…
Apesar de triste o texto é muito bom e serve para que reflitemos sobre a nossa caminhada.

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