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Comida dos deuses africanos

Mostra da Culinária de Terreiro vai levar, pela primeira vez, as iguarias oferecidas aos orixás para a degustação desvinculada do rito sagrado

Por Michelle de Assumpção/Diário de Pernambuco

Tão antigas quanto o próprio culto aos orixás, as comidas de santo são um dos elementos que estabelecem o contato dos humanos com os deuses africanos. São um dos axés do candomblé, assim como a música dos tambores que evoca o transe e as palavras proferidas pelos sacerdotes da religião afrobrasileira também são. O alimento oferecido ao santo é também compartilhado pelos seus filhos e filhas, em dias de festa. Faz parte de um ritual sagrado que poucas vezes foi visto fora dos casas de candomblé. A Mostra da Culinária de Terreiro, uma novidade na gastronomia pernambucana, vai trazer, pela primeira vez, as comidas de santo para a degustação desvinculada do rito sagrado. O local será o Museu do Estado (Rui Barbosa, Graças), que receberá o povo dos terreiros e suas comidas, da sexta até o domingo As iguarias serão servidas gratuitamente. Os visitantes terão contato ainda com algumas apresentações musicais saídas dos terreiros, como afoxés e cocosde roda.

Padê (farofa de mandioca com cebola) é para Exu; canja de arroz e arroz branco com mel para Oxalá; bode para Odé; pipoca e milho para Omulu; guiné e farinha de milho pilado com açúcar para Nanã. Oxum gosta de omuluku, que é feijão macassar pilado com cebola ou cebolinha, armado como cuscuz e incrementado com ovos cozidos. Há muluku que leva cinco ovos, outros levam até dezesseis. Xangô come carne de boi e Iemanjá gosta de peixe. O "fraco" de Oyá é o acarajé e Oxumaré come um prato à base de feijão macassar e inhame. Manoel Papai, babalorixá do terreiro mais importante do Recife, o Obá Ogunté, também conhecido como o Terreiro de Pai Adão, é um dos organizadores do evento, que é realizado pela produtora Aurora 21 e patrocinado pelo Funcultura.

O religioso dividiu a mostra entre treze terreiros do Recife. Cada terreiro irá administrar uma barraca e apresentar comidas para um determinado orixá. O evento, segundo ele, está empolgando as cozinheiras do candomblé, as iabassés. Em Pernambuco elas são chamadas de iabás ou ekedes. Dona Conceição de Oxalá, ekede da casa de Pai Adão, deve preparar um delicioso peixe para Iemanjá, à base de dendê, servido com milho cozido e farinha. Papai conta que o tempero à base de sal, cebola ou cebolinha, camarão seco, gengibre e pimenta é padrão para todas as carnes preparadas para os orixás, seja ave, peixe ou carne vermelha. "O forte vai ser a apresentação dos pratos", comenta ele, sobre o cuidado que as iabás estão tendo para desvincular as comidas de santo da questão religiosa. Doces e guloseimas em geral serão oferecidos na barraca do orixá Ibeji, que no Recife é associado aos santos católicos São Cosme e Damião.

A mostra gastronômica do candomblé está sendo para os religiosos uma forma de quebrar diversas crenças que a população, sobretudo católica e evangélica, criou de forma negativa à respeito dos seus rituais. Desmistificam a ideia de que suas oferendas são um feitiço para quem experimentar. "A receptividade deles ao projeto foi a melhor possível. Vão poder mostrarque sua culinária são tem nada a ver com galinha preta. É um festival de comida africana, não de feitiço ou catimbó", reforça o babalorixá.

Serviço
Mostra da Culinária de Terreiro
Quando: sexta (abertura oficial, das 19h às 21h),
sábado (16h às 21h) e domingo (16h às 21h)
Onde: Museu do Estado
Entrada franca

Comentários

creusa lins disse…
Acho a matéria ilustrativa porém há de se esclarecer que na Umbanda a visão de orixás não envolve esse tipo de oferenda, pelo menos aquela praticada nos Caminheiros. A questão se prende ao fato de se falar em Orixás tanto no Candomblé quanto na Umbanda.

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