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Coleção supre carência de literatura sobre a África


Michelle de Assumpção/Diário de Pernambuco

Sankofa é um dos adinkra, que é um conjunto de ideogramas que compõe a escrita dos povos akan, da África Ocidental. Os símbolos significam que nunca é tarde para voltar e recolher o que ficou para trás. A questão do retorno ao passado (para melhor compreensão do presente e futuro) norteia toda a coleção Sankofa. As capas dos quatro livros, um lançamento da Selo Negro Edições, trazem esses ideogramas do conjunto adinkra. Mais de oitenta símbolos que compõem a escrita dos povos akan. Os livros surgem não só como uma demanda do movimento social negro, mas também como ferramenta para suprir a carência de uma literatura que aborde a questão do legado africano para a construção da história brasileira. Vem se somar a outras publicações que tratam da afrocentricidade como maneira de estimular o estudo da história sobre o ponto de vista africano nas instituições de ensino no país.

Os livros foram organizados por Elisa Larkin Nascimento, mestra em direito e em ciências sociais pela Universidade do Estado de Nova York, doutora em psicologia pela USP e diretora do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). No primeiro volume, Elisa faz um resumo da pesquisa pioneira de Cheikh Anta Diop e seus seguidores, que comprovam a influência da matriz negro-africana em todo o mundo, desde a antiguidade até os tempos modernos. O escritor ganense Michael Hamenoo, bem como os angolanos Francisco Romão de Oliveira e Ismael Diogo da Silva, contribuem com análises do legado colonial e da África contemporânea. Elisa e Carlos Moore Wedderburn apresentam uma visão geral das lutas pan-africanas na África e na diáspora americana.

Em Matrizes africanas e ativismo negro no Brasil, Nei Lopes e Beatriz Nascimento trazem uma perspectiva sobre o legado dos ancestrais bantos e malês; Elisa Larkin Nascimento, Joel Rufino e Abdias Nascimento esboçam uma pequena história das lutas afro-brasileiras do século XX. A questão da educação no Brasil como tema fundamental da vida e da luta dos afro-descendentes é tema de relatórios de fóruns de educadores que a abordam no seu aspecto teórico e prático.

A mulher negra conquistou seu espaço na sociedade por meio de grandes lutas, que são testemunhadas no volume 3 da coleção, Mulher Negra, religiosidade e ambiente. Com apresentação de Mãe Beata de Yemonjá, o livro explora as diversas implicações dessa tradição para a interação do ser humano com as forças da natureza. No processo, elucida várias dimensões do impacto negativo da intolerância religiosa na sociedade contemporânea. O quarto volume da coleção aborda estudos baseados nos trabalhos pioneiros de Cheikh Anta Diop e Molefi K. Asante. Com o objetivo de corrigir as distorções causadas pela ausência do ponto de vista africano na historiografia mundial e pela frequente omissão do africano como protagonista da história das civilizações, a abordagem afrocentrada fornece novas bases de reflexão sobre nosso presente e futuro. Participam deste volume autores de renome, que analisam o tema da afrocentricidade de acordo com a própria área de atuação, contribuindo dessa maneira para expandir ainda mais seu alcance.

Serviço
Coleção Sankofa
Editora: Selo Negro
Preço médio: R$ 55 (cada livro)

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