Caminheiros enviam carta a Átila Nunes

Diante das constantes agressões de neopentecostais contra os umbandistas e candomblecistas, os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua não poderiam deixar de se aliar à reação do senhor Átila Nunes, cuja família, por tradição, é defensora incondicional das religiões de matriz africana. Assim, hoje, enviamos, por e-mail, a correspondência abaixo, para expressar noss engajamento dos Caminheiros no combate a onda da intolerância religiosa que avança no país.


Senhor Átila Nunes,
Poucas vozes são ouvidas em favor dos praticantes das religiões de matriz africana. A intolerância religiosa avança em nosso País. O descaso das autoridades estimula a violência e a consolidação de uma cultura de impunidade. Os neopentecostais agridem dirigentes de terreiros de Umbanda, destroem altares, perseguem e cometem outros atos de barbárie, sem que haja uma reação correspondente do poder público, ao qual cabe a responsabilidade de zelar e fazer cumprir a Constituição brasileira, laica e que garante a todos a liberdade de culto e de religião.

A direção do Centro Espírita Caminheiros de Santo Antônio de Pádua, uma casa de Umbanda, com sede em Brasília, há 38 anos, acompanha com preocupação essa escalada de atos abomináveis e, principalmente, contrários aos mandamentos de Oxalá.

Compartilhamos com o senhor da análise sobre a intolerância manifestada em carta, enviada ao prefeito de Niterói e, mais recentemente, no artigo em que opina sobre o comportamento de uma empregada doméstica que tentou atear fogo em sua patroa. Aliás, nas duas situações, tomamos a liberdade de publicar seus textos no Blog dos Caminheiros (
www.oscaminheiros.blogspot.com), a fim de dar conhecimento aos nossos irmãos Caminheiros, orgulhosos de serem umbandistas.

Tais episódios, ocorridos no Rio de Janeiro, lamentavelmente, se reproduzem em outros estados do nosso país. E não é muito diferente em plena capital da República. Nossa casa, situada em uma área que abriga pessoas, em sua maioria, de menor poder aquisitivo, é constantemente agredida e insultada por neopentecostais. Observamos que, na maioria dos casos, a passividade das autoridades acaba sendo um estímulo, quando não, um gesto de conivência com os atos de vandalismo. Não bastasse, os líderes das diversas vertentes das igrejas evangélicas mantêm-se em silêncio, a nosso ver, expressão inequívoca de apoio às ações violentas dos seus seguidores.

Rogamos a Oxalá, em nossas preces, que a Espiritualidade Maior possa agir sobre esses irmãos, muitos — acreditamos — desprovidos de informação e formação suficientes para uma convivência pacífica com a pluralidade religiosa existente no Brasil. Lamentamos que empunhem o Evangelho como arma para o ataque a supostos inimigos, reais apenas no seu imaginário.

Se muitas dessas pessoas, dignas de piedade, têm uma religiosidade forjada pela mistura de fanatismo com ignorância, há outras que muito lucram com essa incapacidade de discernimento. Brasília é um cenário que bem ilustra essa situação. Os neopentecostais são ingredientes de uma massa política danosa aos interesses coletivos. O lucro dessa ação inescrupulosa bem explica a multiplicação de templos evangélicos.

Hoje, os evangélicos têm uma bancada no Congresso Nacional, que age e manipula decisões contrárias aos interesses coletivos, mas favoráveis às ambições individuais dos seus integrantes. Em contrapartida, não há quem defenda, minimamente, os praticantes das religiões de matriz africana. Assim, umbandistas e candomblecistas são tratados como párias de uma sociedade, cuja principal marca é a diversidade cultural e religiosa, resultado da pluralidade de origens de cidadãs e cidadãos brasileiros. Ao mesmo tempo, há uma objetiva intenção de renegar os valores afros que contribuíram e ainda contribuem intensamente para o desenvolvimento do país, em todos os campos da Nação. Falta-nos, no Congresso Nacional, interlocutores que exijam das autoridades providências contra essa escalada violenta de intolerância religiosa, em sintonia com a discriminação racial, e o cumprimento da Constituição Federal e das leis que asseguram a liberdade religiosa em nosso país.

Assim, senhor Atila Nunes, a sua atuação e reação imediata aos fatos que flagrantemente agridem os umbandistas e candomblecistas é de extrema importância na salvaguarda dos valores religiosos e culturais amalgamados nas religiões de matriz africana.

Os Caminheiros de Santo Antônio de Pádua não é uma grande casa, na dimensão material, mas enorme pela sua fé e compromisso com os valores espirituais e filosóficos da Umbanda Sagrada. Por essa dimensão maior nos colocamos a seu lado como parceiros em defesa dos umbandistas do nosso país. Rogamos que a luz de Oxalá ilumine seu caminho, o fortaleça e lhe dê a inspiração necessária para agir como defensor daqueles cuja voz ainda não reverbera na sociedade brasileira.

Aceite o fraterno abraço dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua.

Rosane Garcia
Assessora de Imprensa do Centro Espírita
Caminheiros de Santo Antônio de Páuda
www.caminheirosbsb.com.br
www.oscaminheiros.blogspot.com
e-mail: oscaminheiros@gmail.com

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