Partilhar para ganhar força

Há semanas um novo clima contagia todos os caminheiros de Santo Antônio. É hora de apostar firmemente no trabalho social da Casa. É fundamental expandir essas ações e mostrar à comunidade essa face dos Caminheiros, cujo perfil ainda não está bem delineado as pessoas e famílias que cercam a nossa Casa.

O trabalho hoje realizado é muito importante.. Nossa irmã Alice se desdobra para levar os mais idosos ao hospital, ao pronto-socorro diante de uma emergência, buscar os remédios prescritos pelos médicos nas farmácias públicas. Faz visita às famílias carentes que enfrentam sérias dificuldades e tenta amenizar a dor de cada uma com uma cesta básica de alimentos. Ajuda as mulheres grávidas que não sabem com agasalhar os filhos logo depois do nascimento. Doa enxovais, produzidos com muito carinho por outras irmãs.

A jovem Patrícia, formada em fonoaudiologia, como voluntária, dedica um dia inteiro a ajudar crianças com diferentes problemas a articular corretamente as palavras e, assim conseguir superar as dificuldades de aprendizado da educação formal.

Assim, é inegável a importância da Ação Social dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua. Mas esse trabalho pode ser ainda maior. Pode ser mais expressivo em favor do próximo. É possível traduzir em atitudes a máxima estampada no letreiro de identificação da casa dos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua: “Fora da caridade não há salvação.”
A série de cursos que está sendo preparada é o parte desse processo de fortalecimento das ações sociais dos Caminheiros. Permitirá que a Casa divida com a comunidade o conhecimento de vários irmãos voluntários e deem a cada um dos participantes a oportunidade de iniciar ou reiniciar uma caminhada com uma perspectiva de crescimento material que lhes permita revigorar suas forças para o próprio fortalecimento espiritual.
Quem queremos salvar?
O que é caridade? A quem queremos salvar? Será que a caridade e a salvação são para nós mesmos? Ou será que esse lema não significa dar ao outro os instrumentos para que ele possa construir a própria salvação por meio de trabalho que lhe permita viver com dignidade?
A breve passagem de Jesus — Oxalá, para nós umbandistas — por esse mundo foi farta de exemplos de partilha. Ele multiplicou os pães e os peixes para aplacar a fome de seus seguidores. Nem em sonho temos essa capacidade. Mas podemos partilhar o que aprendemos com aqueles que não tiveram oportunidade e, assim, dar-lhes instrumentos para que tenham o pão e o peixe para revigorar o corpo material que abriga o espírito em evolução.

Na lembrança dos mais antigos estão as palavras de Antônia Lins, fundadora dos Caminheiros, e do seu mentor espiritual, Ogum da Floresta. Ambos defendiam a construção de uma casa para mães solteiras. Seria uma creche, em que essa mãe solitária, desamparada pelo companheiro, pudesse deixar seus filho ou filha e, com tranqüilidade, ir para o trabalho. Essa tranqüilidade de saber que seu filho estaria bem cuidado permitiria a mulher trabalhar com serenidade e ganhar seu pão de cada dia com dignidade. Não precisaria ficar exposta, se submeter a situações de opressão ou enveredar por caminhos equivocados que degeneram o ser humano.

Hoje, quantas mães, mesmo casadas, não estão desamparadas e se submetem a situações humilhantes para garantir um mínimo de sustento para seus filhos e para si mesma. Quantos jovens, por falta de um pouco de orientação, não acabam cometendo infrações ou se tornando prisioneiros dos inescrupulosos. Se eles são vítimas, nós também o somos ou nos candidatamos a ser. E mais: negamos o que tanto pregamos quando nos reunimos para voltar nossos pensamentos a Deus. Porque somos omissos. Defendemos o que não somos capazes de fazer. A solidariedade e a caridade são palavras ao vento. Ambas exigem atitudes.

Equilíbrio
A orientação espiritual é fundamental. Aproxima o indivíduo de Deus e da Espiritualidade Maior, capaz de produzir milagres. Desvia pessoas de rotas que comprometem sua evolução. Mas não há como negar que no plano material é preciso garantir o pão para o corpo, até mesmo para que o indivíduo tenha capacidade de entender a mensagem que a Espiritualidade Maior nos ensina a cada momento. O equilíbrio, que tanto buscamos individualmente, está na conciliação das necessidades espirituais e materiais. Não fosse assim nosso corpo não precisaria do alimento, do agasalho e de tantas outras coisas que propiciam conforto e dignidade.

É no conforto que somos testados a tornar real a solidariedade, por meio da partilha. Esquecemos que viemos ao mundo despidos de qualquer bem material, mas que a cada etapa do nosso crescimento físico nossas necessidades aumentam. E se nós precisamos de bens materiais, o outro também precisa. Os desejos e os sonhos são como o ar que respiramos. Valem para todos. E veja que Deus, ao criar o mundo, não criou tipos diferentes de ar. Deu a todos, sem distinção, o mesmo ar para respirar.

Partilhar nossos conhecimentos e dividir com o outro nossas habilidades, sem dúvida, são formas de traduzir em gestos a máxima que nos orienta: “Fora da caridade não há salvação”. Não há outro caminho senão o do fortalecimento da responsabilidade social, para que essa máxima se faça real.

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