A dor que angustia versus a dor que purifica


Por Thiago Silva Baccelli
orador espírita, psicólogo clínico e graduado em Direito


Graças ao bom Deus, a Doutrina Espírita Cristã tem nos facultado refletir acerca de muitas coisas importantes, referentes à caminhada de evolução...
Por exemplo: no presente texto, iremos tentar efetuar um paralelo entre a dor que angustia e a dor que purifica.
Na Terra, nesta dimensão em que nos localizamos, não há quem não carregue o seu quinhão de sofrimento! Todos, sem exceção, temos nossas decepções, seja com nós mesmos ou com o próximo.
Assim, neste tocante, nada importa a nossa posição econômica ou social... Sejamos criaturas pobres ou ricas materialmente, iremos passar por reveses e dificuldades, das mais diversas, dentro do nosso campo de ação.
Nosso Pai não nos criou para a dor e para o sofrimento, no entanto, espera que possamos decidir através do livre arbítrio que, amorosamente, nos faculta, com a finalidade de podermos efetuar as melhores opções, dentro da extensa gama de caminhos existentes na jornada. De certa forma, com o advento da inteligência, tornamo-nos “donos” do nosso destino!
Recordemos por um instante de Jesus Cristo e de seus primeiros apóstolos, como também de outros nomes dos quais a Humanidade guarda piedosa lembrança, tais como: Francisco de Assis, Bezerra de Menezes, Madre Tereza de Calcutá, Chico Xavier, Vicente de Paulo, Gandhi, etc.
Conhecendo a história de vida destes ilustres personagens, vamos agora refletir sob o seguinte prisma: todos eles não sofreram certas decepções, perdas, traições, difamações e perseguições em nosso meio? Até mesmo o Cristo, Nosso Mestre e Senhor, por aqui Ele não passou por cruciantes dores físicas e morais?
Partindo deste pressuposto, convenhamos que nós, em nossa natural insignificância e indigência, indubitavelmente, aqui sofremos e iremos sofrer!
O que nos é dado modificar neste ínterim é a forma de nosso sofrimento... Podemos aprender com estes ilustres personagens, Espíritos do Mais Alto, Missionários do Amor e do Bem, a sofrer em paz!
Neste momento, imaginamos a perplexidade de alguns de nossos leitores, indagando: Mas como alguém pode sofrer em paz?
Vamos recordar novamente de nossos maiores exemplos... Eles não colocaram em prática a Lei do Amor e da Caridade em suas vidas? As suas consciências não estavam tranquilas, em paz, a respeito de si mesmos? Eles não estavam trabalhando operosamente às virtudes, amando o próximo e exemplificando aos homens o caminho mais suave para Deus? Pois, então, eles sofreram em paz, concordam?
O Senhor, justo por excelência, optou pelo silêncio, em vez de efetuar qualquer tipo de defesa ante a ignorância de seus algozes, incapazes de compreendê-Lo naquele momento!
Ele não morreu em paz na infame cruz? Sua única preocupação no instante derradeiro do martírio foi conosco, pedindo ao Pai: “Perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem”.
Observamos que a mágoa, o ressentimento, a inveja, o orgulho, o egoísmo e o ódio se constituem em perigosos venenos que inoculamos em nossas almas.
Já o perdão, a humildade, a paciência, a fé, o amor e a caridade são sublimes medicamentos que ministramos ao nosso espírito, os quais nos permitirão sofrer em paz sobre a Terra!
Portanto, por mais que não gostemos da ideia, não tem jeito: irremediavelmente, neste Plano não há quem não sofra, devido a débitos próprios acumulados no pretérito e também na atual encarnação, assim como pela natureza deste Orbe de provas e expiações!
Com estas poucas linhas, não pensem que estamos querendo nos comparar aos Missionários da Luz, que vêm ao nosso encontro em espírito de extrema renúncia, condoídos e sensibilizados pelas nossas mazelas e ignorância, sem necessidade alguma de expiar como nós outros!
Entretanto, todos estes Bons Espíritos nos mostraram que, em todo o tempo, podemos rever os nossos erros, buscando um novo recomeço...
Destarte, cabe a cada um fazer a escolha pelo caminho, entre a dor que angustia e a dor que purifica... Neste instante, rogamos a Deus que nos conceda força e sabedoria para que todos, juntos, possamos fazer a opção correta!

Comentários

Anônimo disse…
A dor que purifica é fruto de uma caminhada com Cristo, servir a Deus é tarefa difícil e de muitas abdicações.
Adorei a mensagem!
Fernando Figueiredo

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