Os Orixás


- Parte 2 -

A existência desses espíritos antecede a presença humana no planeta. Os orixás são energias puras que, por questões culturais, são confundidos com os santos católicos. Essa associação, no Brasil, se deve à opressão que os negros sofreram por mais de três séculos de escravidão. Os negros para preservar a prática religiosa, estabeleceram uma relação os orixás e os santos católicos. Assim, conseguiam driblar os escravagistas, que não concebiam qualquer expressão religiosa ou cultural dos africanos trazidos ao Brasil na condição de escravos.
A estratégia dos escravos se consolidou e, hoje, os umbandistas, ao se referirem a um orixá, até involuntariamente, o associam a um santo católico. Muitas publicações, que tratam do tema, também estabelecem a mesma ligação.
Allan Kardec, no “Livro dos Espíritos”, ensina que os Espíritos Puros são os “percorreram todos os graus de escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando sujeitos à nova reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus”.
Kardec diz ainda que esses espíritos “gozam de inalterável felicidade porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, porém, não é a da ociosidade monótona, a transcorrer em perfeita contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir aos homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima”.
Na Umbanda, os Orixás são o que Kardec conceitua de Espíritos Puros, ministros de Deus (Oxalá) e que comandam espíritos que lhe são inferiores, o que corresponderia às falanges dos guias e protetores. Aqui vale esclarecer que a expressão “inferiores” não está associada ao negativo. Os espíritos nessa condição estariam, na escala de evolução — digamos — degraus abaixo dos Puros. Assim, ainda terão que vencer etapas para conquistar o grau máximo de evolução e se somar aos Puros. Os espíritos menos puros são auxiliados pelos Puros que, na condição de ministros Deus, constituem as diferentes falanges como as que conhecemos na Umbanda: Oxóssi, Ogum, Xangô, Nanã, Oxum, Iemanjá e Iansã. Temos, portanto, as sete falanges dos Orixás, cujos comandados estão associados aos principais elementos do mundo material: terra, ar, fogo, e água.

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