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Jovens e violência

Brasília ficou chocada e, possivelmente, o Brasil também, depois de a televisão exibir nos principais telejornais as brigas de rua, organizadas pela internet, por adolescentes de famílias de classe média alta. Na sala de casa, ouviu- se, quase em coro, exclamação seguida de uma pergunta, que embutia grande espanto: — Jesus! O que é isso?

A pergunta não pára de martelar nossa cabeça. Como pode, jovens de boas famílias, que vivem com conforto, matriculados em colégios de primeira linha, bem vestidos e alimentados, protagonizarem tamanha violência? O que é isso, minha gente?

A capital federal consolida a fama de cidade violenta. Adolescentes se unem e formam gangues. Eles se despem da condição de seres humanos e dão uma forma inominável à irracionalidade. Uma construção abominável de uma cultura de violência, como se não bastassem o que vemos diariamente na crônica policial dos veículos de comunicação.

Em 1993, Brasília ficou consternada. O jovem Marco Antônio Velasco foi surrado até a morte, na Asa Norte, por outros jovens. O drama da família Velasco ganhou as páginas dos jornais, revistas, rádios e emissoras de TV. Desde então, dezenas de outras famílias choraram a perda de seus filhos, quando desabrochavam para a vida.

Alguns anos depois, jovens ricos, de famílias influentes, queimaram o índio Galdino Pataxó, que dormia em um banco de ponto de ônibus, na Asa Sul. A barbárie teve repercussão nacional e internacional. Todos foram punidos, de forma branda na avaliação da sociedade. Todos estão em liberdade.

E, agora, mais uma vez, as câmeras de TV e as manchetes dos jornais se voltam para Brasília, cidade patrimônio cultural da humanidade e forte candidata ao título de capital das gangues de jovens ricos.

Profissionais de diferentes áreas do conhecimento, em sua maioria, afirmam que a falta de limites levam os jovens a essas práticas violentas e condenáveis. Essa falta de limite seria uma forma de os pais compensarem a ausência deles da vida dos filhos, forçados pelos compromissos profissionais, pelos negócios e a ansiedade de ganhar e sempre ganhar mais dinheiro para garantir conforto e frivolidades. Será? Ou haverá outra explicação muito mais espiritual, que nos impõe uma reflexão mais profunda sobre o papel que temos a desempenhar nessa nossa passagem pelo mundo?

No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec, faz uma séria advertência.
“Certos pais, é verdade, descuidam dos seus deveres, e não são para os filhos o que deveriam ser. Mas é a Deus que compete puni-los, e não aos filhos. Não cabe a estes censurá-los, pois que talvez eles mesmos fizeram por merecê-los assim”.

E o alerta não é apenas para os pais. Kardec também se refere aos filhos e os lembra do que nos ensinou Jesus: “Honra a teu pai e a tua mãe”. O caminho da violência é o da desonra, do desrespeito e da negação a tudo que os pais sonharam para os filhos.

Mas não há como não refletir sobre o importante papel da educação. Allan Kardec indagou aos instrutores espirituais se os pais exercem influência sobre os filhos, e obteve a seguinte resposta:
"Exercem, e muito, pois como já dissemos, os Espíritos devem concorrer para o progresso recíproco. Pois bem: O Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação; isso é para ele uma tarefa. Se nela falhar, será culpado". Portanto, a responsabilidade dos pais na formação moral dos filhos é grande, não só pelo que se ensina, ou se deixa de ensinar, mas, sobretudo, pelos exemplos, pois os filhos tendem a copiar o que os pais fazem, e não o que ensinam.

Na Revista Espírita, de fevereiro/1864, o codificador do Espiritismo publicou um artigo sobre as "primeiras lições de moral da infância", em que comenta as atitudes incorretas dos pais, desenvolvendo nas crianças exatamente aquilo que deveria ser combatido. Inicia dizendo: "(...) De todas as chagas morais da sociedade parece que o egoísmo é a mais difícil de desarraigar. Com efeito, ela o é tanto mais quanto mais é alimentada pelos mesmos hábitos da educação. Parece que se toma a tarefa de, desde o berço, excitar certas paixões que, mais tarde, tornam-se uma segunda natureza".

No caso dos pais espíritas, se efetivamente interessados em proporcionar uma boa formação moral aos filhos, a Doutrina oferece abundante material que pode facilitar bastante o trabalho. Além de muitos livros existentes sobre o assunto, recentemente foram lançados mais dois excelentes trabalhos que podem auxiliar os pais nas tarefas de educação. Educação do Espírito, de Walter Oliveira Alves (IDE de Araras) e A Educação Segundo o Espiritismo, de Dora Incontri, publicado pela Federação Espírita do Estado de São Paulo.

Se os pais podem aperfeiçoar o trabalho de educação dos filhos, por outro lado, os filhos - e aqui nos referimos aos jovens espíritas - devem refletir mais sobre os seus deveres para com os pais. O jovem espírita não se deve deixar influenciar pelas atitudes comportamentais dos seus colegas e amigos, que não possuem os esclarecimentos do Espiritismo.

"O mandamento: Honra a teu pai e a tua mãe" é uma conseqüência da lei geral da caridade e do amor ao próximo, porque não se pode amar ao próximo sem amar aos pais. Mas o imperativo "honra implica um dever a mais para com eles: o da piedade filial" 3. Acentua, ainda, Allan Kardec, no texto citado: "(...) ao amor é necessário juntar o respeito, a estima, a obediência e a condescendência, o que implica a obrigação de cumprir para com eles, de maneira ainda mais rigorosa, tudo o que a caridade determina em relação ao próximo".

Se o Espiritismo nos ensina a perdoar, a tolerar, a relevar as faltas do nosso semelhante, em se tratando dos pais esses ensinamentos devem ser observados de maneira mais cuidadosa, porque o filho, quer queira, quer não, é um devedor dos pais. É necessário considerar que os pais receberam outro tipo de educação, viveram sua mocidade em outra época, conseqüentemente suas experiências, o modo de analisar determinadas situações, é diferente.

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