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Adoradores da Santa Ignorância


 A onda de violência contra os umbandistas e candomblecistas é crescente. Quando os espíritas — e somos todos espíritas — reclamam da ação truculenta daqueles que carregam a Bíblia debaixo do braço é como se não tivessem direito a professar uma fé que não está catologada entre as religiões tradicionais.

E aí questionamos: O que é religião tradicional? Aquela instituída pelos homens, inspirada em modelos políticos ou econômicos? Aquela que surgiu de conflitos por interesses materiais ou pela simples disputada de poder?

O pior é o comportamento das autoridades frente às atrocidades que estão ocorrendo no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras contra os umbandistas e as religiões de matriz africana. Venho acompanhando o tema por meio de diferentes veículos de informação e não há qualquer notícia de uma ação mais ousada das autoridades policiais para identificar os agressores e aplicar-lhes o que determina a lei. Vivemos em um país que não tem religião oficial e se gaba da sua diversidade de credos, raças e costumes. Então, é hora de tornar viva a letra da Constituição Federal. E ainda que o estado brasileiro não fosse laico, as liberdades individuais dão a todos o direito de praticar sua fé como bem entender, desde que não seja em prejuízo do outro.

Os agressores, adoradores da Santa Ignorância, usam as palavras de Jesus, para justificar a violência. Em que momento, Oxalá pregou a agressão, o martírio do próximo ou que definiu essa ou aquela religião como verdadeira? Em momento algum. Ao contrário. Na sua passagem pelo mundo terreno, Jesus ou Oxalá defendeu a paz e o respeito entre os homens. Como mandamento maior ensinou que devemos amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E disse mais: faz ao próximo aquilo que deseja para si mesmo.

Assim, é possível acreditar que os agressores dos umbandistas são pessoas que se odeiam e carregam a Bíblia como adereço de mão, mas nunca a lerão e, se o fizeram, não compreenderam as palavras de Jesus. Posam com a Santa Escritura para camuflar a maldade que carregam no coração e a expressam por meio da violência desmedida e inaceitável.


Agem a serviço daquele que dizem exorcizar, o demônio. Mas se confundem com o próprio demônio. São eles que precisam ser exorcizados da sociedade e do convívio dos umbandistas e espíritas, sempre dispostos a construir uma cultura de paz e de respeito ao próximo.

Precisamos elevar muitas preces para que a espiritualidade possa agir sobre esses irmãos. Ao mesmo tempo, é essencial participar de movimentos para que as autoridades públicas garantam respeito à prática da Umbanda e de todos os cultos de matriz africana. Não podemos ficar de braços cruzados diante desses fundamentalistas medievais, que usam a palavra de Jesus em vão para justificar suas atrocidades.

Comentários

Anônimo disse…
Ótimo texto. Mensagens iguais a esta contribuirão para mudar esta situação.

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