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Em maio, saudaremos os pretos-velhos

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Chegamos à última semana de abril.   A partir de segunda-feira próxima, entramos em contagem regressiva para a festa de Preto Velho   — Adorê as almas! — uma das mais belas falanges da Umbanda. Ela é traz para mais perto de todos a relação com a nossa ancestralidade, com as tradições de matriz africana, que se traduz pelas diferentes origens dos pretos e preta velhas. Identificamos essas diferenças nos próprios nomes que eles assumem no terreiro: Maria Conga, Pai Benedito de Angola, Pai Guiné, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Maria da Bahia... São muitos e não saberíamos precisar — nem sabemos se é possível — quantos existem. Mas temos convicção de que eles estão nos terreiros de Umbanda, como referência de sabedoria, humildade, serenidade, magia, resignação, amor, caridade. Têm uma capacidade, como poucos de ouvir, e, para muitos, são os psicólogos da espiritualidade que colaboram para que as pessoas consigam superar as próprias dificuldades ou encarar, de forma diferen...

A diferença entre incorporação na umbanda e transe de orixá

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Embora haja muitos pontos comuns que unem umbandistas e candomblecistas, como o tambor, as ervas, o dendê, a fé em Zambi e nos orixás, que correspondem aos elementos da natureza, nem todos os adeptos da Umbanda conseguem compreender as nossas diferenças — a maior delas é o abate de animais, algo que não existe na Umbanda.  Do lado de lá, as dificuldades também são grandes, embora, boa parte dos terreiros de candomblé tenha um cantinho reservado para recepcionar os caboclos, pretos-velhos e crianças que incorporam na Umbanda. Esse desencontro sempre me incomodou. Afinal, estamos todos no mesmo barco nessa trajetória terrena. Hoje, como no passado, navegamos em águas turbulentas ante a intolerância religiosa e o racismo dos neopentecostais, que satanizam a nossa fé, ou seja, mais um ponto de convergência entre umbandistas e candomblecistas. Ainda assim, falta união e não temos compreensão dos fenômenos distintos que ocorrem nas duas práticas: umbanda e candomblé. Há algum tempo...

SALVE OGUM!

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ESTE domingo (23) é dia de festa nos Caminheiros de Santo Antônio de Pádua. É dia de saudar Ogum! Ogunhê!!! A partir das 19h30, a casa homenageará Ogum, o senhor do ferro, da guerra,  dos caminhos, o vencedor de demanda. Você, familiares, amigos e frequentadores estão convidados a compartilhar deste momento conosco, para expressar gratidão, fé e alegria. Entre os orixás da Umbanda, ele é um dos mais populares  e está associado a São Jorge, ex-santo católico, venerado por milhões de pessoa em todo  o mundo.  São Jorge foi cassado em 1969, pelo então papa Paulo VI, mas os católicos ignoraram a decisão papal e se mantiveram fiéis a Jorge. Hoje, Ogum ou São Jorge será festejado nas casas de Umbanda e nas igrejas na maioria dos estados. Na Umbanda, essa ligação se deve ao sincretismo, uma estratégia dos escravos para fugir da perseguição dos escravocratas, que rechaçavam com violência quaisquer outras práticas religiosas que não fossem  a católica. Ogum,...

O que é ser cambono?

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Os cambonos são médiuns de sustentação, e são tão importantes quanto os médiuns ostensivos (de incorporação mediúnica) nos trabalhos de uma Casa Umbandista; eles também devem seguir certos procedimentos e ter a mesma dedicação e responsabilidade. O cambono, médium de sustentação, é aquele trabalhador, com mediunidade ostensiva ou não, que está presente ao trabalho, mas que não participa diretamente do fenômeno nem dos procedimentos de incorporação mediúnica para atendimentos. Como o próprio nome diz, embora não esteja envolvido diretamente no fenômeno ou na assistência, faz a sustentação energética do trabalho, mantendo o padrão vibratório elevado por meio de pensamentos e sentimentos elevados. Ao contrário do que se pensa, os médiuns cambonos de sustentação são tão importantes quanto os médiuns de incorporação, pois eles ajudam a garantir segurança, a firmeza e a proteção para o grupo e para o trabalho, enquanto os médiuns de atendimento fazem a sua parte e desenvolvem o ...

Salve São José. Salve Xangô!

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Hoje é dia de São José, um personagem da fé católica. O marceneiro que foi marido de Maria, mãe de Jesus.   Todos eles estão associados a orixás da Umbanda. Oxalá é relacionado a Jesus; Oxum, a Maria; e São José, a Xangô Aganjú, senhor dos vulcões e das montanhas. Indiscutível a importância de São José na história do cristianismo. Mas a estratégia dos ancestrais de associar os santos católicos aos orixás cultuados na Umbanda e nos demais cultos de origem africana perdeu o sentido. Pedagogicamente, essa tática era uma maneira de dar concretude aos orixás, que estão ligados às diferentes forças e elementos da natureza. A intolerância aos cultos afro-brasileiros, no passado, deu origem ao sincretismo. Era uma forma de mascarar ante a perseguição dos colonizadores e escravocratas a verdadeira prática religiosa dos negros sequestrados em suas terras de origem e tornados escravos no Brasil. Hoje, a liberdade religiosa está garantida pela Constituição, apesar do franco desr...

Sem ilusões. Umbanda é doação

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Engana-se aquele que supõe que ao vestir a roupa branca, se predispor a ser instrumento da espiritualidade e pisar no terreiro de umbanda terá todos os seus problemas materiais resolvidos e os sonhos realizados: dívidas pagas, casamento perfeito, o melhor emprego, ficará imune a acidentes, a doenças e as maledicências humanas... Há quem questiona: “Então, qual é a vantagem de desenvolver a mediunidade?” Vantagem? Para começar, uma verdadeira casa de Umbanda não cobra pelo trabalho espiritual realizado. A opção por ser umbandista não é uma negociação voltada ao lucro. É decisão íntima, do coração, sustentada pela fé na espiritualidade. Nada tem a ver com barganha: “eu faço isso, em troca daquilo”. Ser umbandista não é uma mudança para o país das maravilhas ou para a Terra do Nunca. Nada disso. O nosso curso na vida material, como espíritos encarnados, seguirá naturalmente. Cada um viverá o resultado de suas ações e escolhas. Colherá o que plantou: quem cultiva capim, não terá ...

Sejam bem-vindos. Vamos construir pontes?

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Ao longo de sua história — 46 anos serão completados em 10 de agosto —, os Caminheiros de Santo Antônio colecionam muitos círculos virtuosos. Como  toda casa de umbanda, há uma rotatividade de irmãos médiuns, por inúmero motivos. Mas os caminheiros seguem firmes na sua trajetória voltada à prática da Umbanda, à manutenção de ambiente acolhedor aos que buscam nas entidades  — caboclos, pretos velhos, ibejis, exus e pombojiras — o reequilíbrio de suas energias, a inspiração para superar as dificuldades naturais da vida material ou só fazer um desabafo das próprias angústias e ouvir palavras de conforto dos irmãos da espiritualidade. Viver nos caminheiros e viver como caminheiro é uma bênção. Desfrutar desse contato com a egrégora espiritual da casa, por si, é uma graça bendita. Hoje, vários irmãos aspiram fazer parte do quadro mediúnico. Trata-se de algo muito auspicioso para os dois lados: ganha a casa, com a presença de novos irmãos, que atrairão mais irmãos da ...